Usar o tênis do recordista em Londres e recorrer ao seu abastecimento NÃO garantem seu novo recorde nos 42 km! 

Tênis e nutrição ajudam, mas sem treino consistente e volume adequado não há tecnologia ou estratégia que entregue recorde na maratona

1 mai 2026 - 11h54
(atualizado às 12h27)
Sabastian Sawe comemora o recorde mundial mostrando o tênis da conquista (Foto: David Cliff for London Marathon Events)
Sabastian Sawe comemora o recorde mundial mostrando o tênis da conquista (Foto: David Cliff for London Marathon Events)
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

Após um acontecimento histórico, como foi a marca sub 2 horas do queniano Sebastian Sawe no dia 26 de abril na Maratona de Londres, costuma haver o efeito "repetição" entre os corredores que treinam pra valer, e mesmo entre os que estão mais preocupados apenas em completar os 42 km.

Muito do que saiu na imprensa nesta semana enfoca a ajuda de dois fatores que teria recebido o queniano, para conseguir correr a 2:49/km, e assim fechar os famosos 42.195 metros em 1:59:30. O primeiro ganhou maior destaque, e que foi o tênis usado por Sawe, o Adizero Adios Pro Evo 3, da Adidas, de apenas 97 gramas! Além do baixíssimo peso, ele recorre a placas de carbono, cuja função principal é promover um retorno de energia da passada, na forma de impulso pra frente, o que reduziria em alguns segundos o tempo de conclusão em uma maratona. 

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Duas observações a respeito: a melhora nos resultados não seria de minutos e tal consequência valeria para profissionais, ou seja, os que já correm muito rápido. Este aspecto é fundamental para justificar o título deste post, porque está subentendido que corredores normais não se beneficiam do aspecto técnico desses tênis, lembrando que outras marcas têm produtos semelhantes e já há alguns anos.

Sem contar que os modelos de placa são necessariamente altos e quem já usou deve ter constatado certo desequilíbrio, pelo menos no início, e nenhum ganho de velocidade, a não ser talvez para os chamados corredores "sérios", que andam abaixo de 4 min/km. E para os que não se convenceram que colocar o Adizero Adios Pro Evo 3 NÃO vai garantir o PB (Personal Best) nos 42 km, segue a informação: ele estará disponível pra venda no Brasil a partir de agosto e custará 5 mil reais. 

Vamos agora à segunda ajuda que teve Sebastian Sawe para voar em Londres. Ele contou com um abastecimento montado por uma empresa especializada em nutrição esportiva (Maurten), que em síntese consistiu em alto percentual de carboidratos nas bebidas ingeridas a cada 5 km, muito acima do que costuma ser recomendado. 

Antes que já se comece a pensar em dobrar a ingestão de gel e bebidas isotônicas na próxima maratona, um alerta: o queniano fez uma preparação especial para conseguir ingerir tanto carboidrato e não sofrer um desarranjo intestinal no percurso.

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Então chegamos ao ponto pouco ou nada comentado na mídia esta semana: Sebastian Sawe treinou MUITO, por 4 meses e em altitude, fazendo de 200 a 240 km por semana, em 2 treinos diários, quando aproveitava para testar o abastecimento que usaria na maratona. Como curiosidade, antes de sair para os 42 km em Londres, ele comeu apenas umas torradas com mel, acompanhadas de chá.

Uma recomendação final para os que estão pensando "Quando eu correr com aquele Adidas do Sawe, ninguém vai me alcançar, ainda mais se eu me empanturrar de carboidrato no percurso". Quer conseguir seu novo recorde nos 42 km? Treine com afinco, coloque um tênis qualquer nos pés (entre os muitos excelentes que estão por aí, por menos de mil reais) e realize um abastecimento sem exageros no percurso. Basta isso! Para dar sorte, torradas com mel e chá, antes de ir pra largada.

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