Como lidar com a vergonha e o arrependimento após o fim de uma relação

De "textões" arrependidos a situações que viram piada entre amigos, constrangimentos pós-término são mais comuns do que se imagina

17 set 2026 - 11h25
Resumo
Atitudes impulsivas pós-término, como mensagens desesperadas ou tentativas de provocar ciúmes, nascem da carência e da busca por validação, conforme explica a psicóloga Marina Rotty. Inspirada por um constrangimento real com um amigo, a cantora Monik transformou sua ressaca moral na música "Amigo Gay". Para a especialista, superar a vergonha exige reconhecer as próprias carências emocionais, usar o humor com leveza e encarar esses episódios como aprendizado, sem se prender à culpa.

A cantora Monik conta um episódio que viveu e uma especialista explica por que agimos por impulso, e como lidar com a vergonha. 

Todo mundo tem uma história (ou conhece alguém que tem) sobre aquele momento constrangedor depois do fim de um relacionamento. Pode ser a mensagem enviada no calor da emoção, a tentativa frustrada de provocar ciúmes, o encontro inesperado com o ex ou a descoberta de que os amigos estavam por dentro de tudo.

Foto de Julia Taubitz na Unsplash
Foto de Julia Taubitz na Unsplash
Foto: Revista Malu

Essas situações, embora doloridas no momento, muitas vezes viram motivo de risada tempos depois. A cantora Monik, conhecida pelo hit "Diva do Interior", viveu uma delas e transformou o episódio em música. "Eu sinto que vivo passando vergonha em todas as áreas da vida: seja na amorosa, na profissional ou na pessoal. Mas, no amor, eu costumo ser aquela pessoa que se emociona demais e acaba mandando aquele 'textão' enorme se humilhando depois de um término", conta.

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No caso que inspirou a música "Amigo Gay", o constrangimento foi imediato. A situação aconteceu quando Monik encontrou o ex na mesma festa e, em meio ao clima delicado pós-término, acabou dormindo com um amigo gay. No dia seguinte, bateu a ressaca moral. "Foi uma sensação muito estranha porque, além de ele ser gay, nós somos muito amigos. O clima ficou tão embaraçoso que foi quase impossível não tentar fazer piada com a situação para quebrar o gelo", relembra.

Monik admite que costuma se arrepender de ter sido "intensa e 'emocionada' demais". "Praticamente todos os meus términos aconteceram por causa disso: eu acabo assustando os caras com a minha intensidade." Para lidar com a vergonha, ela diz que tenta entender o que sentiu e o que a levou àquela situação. "Esse processo de autoanálise tem me ajudado bastante a evoluir, até porque eu já fui mais inconsequente e sem noção no passado."

O episódio só virou música quando ela percebeu a reação das pessoas ao ouvir a história. "Sempre que eu contava essa história para alguém, a reação da pessoa era muito forte. As pessoas ficavam chocadas e caíam na risada ao mesmo tempo. Foi aí que percebi que tinha em mãos um enredo muito bom e que não passaria despercebido se virasse música."

Hoje, ela diz que não faria nada diferente e resume o aprendizado: "Ter intimidade com alguém sem existir uma atração física de verdade é uma das piores coisas do mundo. Simplesmente não funciona."

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Por que agimos por impulso depois do término

Para a psicóloga e sexóloga Marina Rotty, é comum que, após um término, a pessoa fique emocionalmente mais vulnerável e busque aliviar rapidamente sentimentos como rejeição, solidão ou tristeza. "Nesse estado, algumas decisões são tomadas mais pela necessidade de preencher o vazio ou recuperar a autoestima do que por um desejo realmente consciente."

O arrependimento, segundo ela, vem depois, quando a intensidade da emoção diminui. "Porque, no impulso, a pessoa busca aliviar uma emoção imediata. Depois, quando a intensidade da sensação de rejeição, solidão e tristeza diminui, ela consegue avaliar melhor a situação e percebe que talvez tenha agido mais pela ansiedade, carência ou necessidade de validação."

Como lidar com a vergonha

A vergonha costuma aparecer quando a pessoa sente que agiu de uma forma diferente do que gostaria. O mais importante, segundo Marina, é evitar transformar um episódio em uma definição sobre si mesma. "Vale reconhecer o que aconteceu, entender o que motivou aquela atitude e usar a experiência como aprendizado, em vez de ficar preso à culpa ou à autocobrança."

O humor pode ajudar, desde que não vire máscara. "O humor pode ajudar quando permite olhar para a situação com mais leveza, sem negar o que aconteceu. Conseguir rir de si mesmo reduz a vergonha, diminui a tensão e ajuda a colocar o episódio em perspectiva. Mas precisa tomar cuidado para não adotar o humor como máscara para sentimentos que ainda precisam ser elaborados."

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Para evitar atitudes motivadas por ciúme, carência ou desejo de chamar atenção, a recomendação é perceber o que está por trás da atitude. "Antes de agir, vale perguntar: 'O que eu realmente preciso agora?' Quando essa necessidade é reconhecida, fica mais fácil falar de forma direta, em vez de agir por jogos emocionais", finaliza Marina.

Revista Malu
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