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O dia em que um brasileiro parou a McLaren em Mônaco

Enrique Bernoldi segurou David Coulthard por várias e várias voltas. A McLaren era favorita, mas passou vergonha naquele final de semana

26 mai 2022 18h44
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A cena que marcou o GP de Monaco de 2001: Coulthard atrás de Bernoldi
A cena que marcou o GP de Monaco de 2001: Coulthard atrás de Bernoldi
Foto: F1 / Twitter

Em 2001, a McLaren começou o ano disputando a liderança com a Ferrari pelo quarto ano seguido. Isso iria se perder no meio da temporada e talvez essa briga começou a esfriar exatamente em Mônaco, embora os primeiros sinais daquele final de semana não mostrassem isso. De um lado, tínhamos Michael Schumacher. Do outro, David Coulthard, que pela primeira vez estava nessa situação na McLaren, pois nas três temporadas anteriores, o grande postulante ao título era Mika Hakkinen.



A F1 chegou em Mônaco em uma disputa acirrada, Schumacher tinha 42 pontos, Coulthard tinha 38, lembrando que na época a vitória valia 10 pontos. A McLaren liderou os treinos livres com MIka Hakkinen e o favoritismo era para a equipe britânica. Na qualificação, isso foi confirmado, com David Coulthard fazendo a pole, com 1m17s430, com 0s201 de vantagem para MIchael Schumacher. O top 5 foi completado por Hakkinen, Barrichello e Ralf Schumacher (Williams). 

Do outro lado da tabela, estavam os carros da Arrows, com Jos Verstappen e Enrique Bernoldi, que se qualificaram em P19 e P20, ficando a frente apenas de Luciano Burti (Prost) e Tarso Marques (Minardi). Mas como Coulthard e Bernoldi se encontraram?



Tudo começou a dar errado para a McLaren na saída da volta de apresentação: o carro do britânico não funcionou e apenas depois que todos os carros passaram foi a equipe conseguiu ligar o carro. Nessa condição, ele era obrigado a largar em último, o 22° lugar. Com isso, Bernoldi agora largava em 19° lugar. Depois de um acidente envolvendo seu companheiro Jos Verstappen e Nick Heidfeld, da Sauber, que acabaram batendo e abandonando, o brasileiro ganhou duas posições e passou na primeira volta em 17°lugar.



Coulthard passou em 21°, recuperando a posição apenas por conta do acidente que tirou Heidfeld. Na frente, Schumacher era o primeiro, seguido por Hakkinen e Barrichello. Na volta 2, Coulthard passou por Luciano Burti (Prost) que tinha parado nos boxes. Ambos ganharam uma posição com a batida de Montoya (WIlliams) no S da Piscina. Na abertura da volta 3, dois carros separavam Bernoldi de Coulthard: Tarso Marques (Minardi) e Jos Verstappen. Antes do fechamento desta volta, Jos acabou passando por Marques.



Na volta 4, Coulthard passou por Marques e Bernoldi começou a ser pressionado por seu companheiro, que já tinha a McLaren em sua cola. Precisou de uma ordem de equipe no início da volta 8 para ceder a posição. A esta altura, Coulthard já estava 34s177 atrás de Schumacher e agora tinha a missão de passar pelo brasileiro. Mesmo sendo Mônaco e tendo mais carro, era esperado que fosse questão de poucas voltas para o escocês passar. 

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Mas o planejamento foi mais uma vez por água abaixo… Coulthard já estava nervoso, por ter que largar atrás e isso só aumentou a pressão. Tentava de todas as formas passar e não conseguia: na volta 15, a diferença já era de 55s676 para Michael Schumacher, que agora tinha Rubens Barrichello em segundo. Hakkinen havia abandonado por problemas na suspensão. As voltas passavam e a situação não mudava.



Até que na volta 27, um carro vermelho aparece no retrovisor de Coulthard. Se já não bastasse o “mico” de não conseguir passar um carro tão inferior, agora teria que dar passagem a Michael Schumacher, seu concorrente no campeonato, que vinha para dar uma volta. O piloto da McLaren deu passagem na Tabac e Michael passou por Bernoldi no S da Piscina, mantendo a situação ficou como estava.



Se Coulthard não passasse por Bernoldi, ele levaria uma volta também de Rubens Barrichello e isso acabou acontecendo na volta 32. Pensando em aproveitar a carona, abriu bem antes. A intenção era que quando Barrichello passasse por Bernoldi, ele fosse junto. Então na Tabac, o piloto da Arrows cedeu para Rubens, mas fechou a porta para Coulthard. Na volta 37, Ralf Schumacher (Williams), o terceiro colocado, chegou.



A tentativa se repetiu: Coulthard deu passagem e tentou pegar o embalo, quando Ralf passou por Bernoldi, próximo a Rascasse. O piloto da McLaren tentou novamente o mergulho, mas de novo foi fechado. Na volta 39, Eddie Irvine (Jaguar) também passou pelos dois. Na sequência, foi a vez de Villeneuve (BAR) também dar uma volta. Quando Michael Schumacher já tinha aberto a volta 45, Coulthard finalmente conseguiu se livrar do carro laranja que lhe assombrava. Lembrando que na época existia reabastecimento na F1.



As equipes começaram de tanque cheio para só parar no fim em Mônaco. Como o tanque da Arrows não era tão grande, Bernoldi foi obrigado a parar. Naquele momento, ele ocupava a 11° posição, contando com abandonos e paradas. Obviamente, Coulthard era o 12°.



Depois que Coulthard se livrou de Bernoldi, começou a marcar voltas mais rápidas e ganhou três posições de pilotos que pararam: Alonso (Minardi), Button (Benetton) e Alesi (Prost). Isso e mais três abandonos na prova fizeram que Coulthard chegasse ao sexto lugar, entrando na zona de pontos. Seu ritmo era tão forte que também recuperou volta em cima de Villeneuve e Irvine. Bernoldi tomou outra volta do líder Schumacher e  também tomou volta do próprio Coulthard. Na frente dele, apenas Jos Verstappen não lhe colocou volta por muito pouco.



O brasileiro cruzou em 9°, à frente apenas de Kimi Raikkonen, que teve problemas no início da prova e terminou 5 voltas atrás. Mas ainda não tinha acabado para Bernoldi: Ron Dennis, CEO da McLaren, teve uma conversa nada amistosa com o brasileiro. Dennis estava muito bravo, até por conta da McLaren não ter tido um bom fim de semana. Os carros da equipe se mostraram os mais rápidos nos treinos livres, Coulthard conquistou a pole e era esperado que, mesmo sem ele, Hakkinen pudesse ter brigado pela vitória



Dennis falou a Bernoldi que um piloto como ele devia ter consciência e não atrapalhar alguém que estava disputando o campeonato. Além disso, previu que  não iria durar muito na F1 com essas atitudes. Uma fala totalmente babaca do britânico, já que Bernoldi estava disputando posição. Quando Bernoldi contou o que aconteceu ao seu chefe de equipe, Tom Walkinshaw, outra cobra criada, este ficou furioso e deu declarações públicas de que Ron Dennis tinha ameaçado seu piloto e que o todo poderoso da McLaren devia estar frustrado com sua equipe e não com o brasileiro.



 

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