Apesar das recentes divergências políticas e ideológicas entre as lideranças de Brasília e Buenos Aires, o governo argentino descartou qualquer possibilidade de rompimento com o Brasil. A garantia foi dada pelo chanceler argentino, Pablo Quirno, durante entrevista concedida à rádio Mitre. O diplomata buscou contextualizar as recentes declarações do presidente Javier Milei, que teceu críticas ao governo brasileiro durante o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Rompimento com Brasil é descartado
Segundo o ministro das Relações Exteriores da Argentina, a postura do mandatário reflete o alinhamento político de sua gestão com a família Bolsonaro. No entanto, esses posicionamentos individuais não devem interferir nos laços de Estado construídos entre os dois países: "Precisamos situar este episódio mais recente no contexto de uma série de incidentes decorrentes das diferenças políticas existentes — especificamente entre o presidente Milei e o presidente Lula. Enxergamos o mundo de maneiras completamente diferentes, mas não levamos isso para o plano institucional."
Ao ser questionado sobre o risco de um congelamento das pautas bilaterais ou de uma ruptura formal, Pablo Quirno foi taxativo ao reafirmar que a diplomacia argentina continuará trabalhando para preservar a cooperação entre os países vizinhos, frisando que não há qualquer chance de rompimento por iniciativa de Buenos Aires.
Reação do Itamaraty e os desdobramentos diplomáticos
A escalada de tensão começou após as declarações proferidas por Milei na capital paulista, o que levou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil a adotar medidas diplomáticas imediatas. O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas com o ministro Mauro Vieira.