Sérvios votam em eleição histórica; estudantes tentam encerrar longa hegemonia de Vucic

25 out 2026 - 16h15
Resumo
Com comparecimento recorde às urnas, a Sérvia realizou eleições parlamentares marcadas pela disputa acirrada entre o líder populista Aleksandar Vucic e um movimento de oposição liderado por estudantes. Impulsionada por protestos contra a corrupção e o autoritarismo iniciados após uma tragédia em 2024, a chapa estudantil representa a maior ameaça à hegemonia de mais de uma década de Vucic, que agora busca o cargo de primeiro-ministro prometendo estabilidade econômica e reformas sociais.

Os sérvios ‌compareceram às urnas em número recorde na eleição parlamentar deste domingo, enquanto um movimento de protesto liderado por estudantes tentava tirar do poder o líder populista Aleksandar Vucic, no maior desafio ao seu governo em mais de uma década.

A eleição antecipada, convocada por Vucic em setembro, ocorre após quase dois anos de manifestações lideradas por estudantes contra o que consideram corrupção e um crescente autoritarismo. Os protestos começaram ⁠após a morte de 16 pessoas no colapso da cobertura de uma estação ferroviária na cidade de ‌Novi Sad, em 2024, e desde então ganharam amplo apoio popular.

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Longas filas se formaram em seções eleitorais em cidades e vilarejos de todo o país, e até mesmo Vucic precisou esperar quase duas horas ‌para votar. Os institutos de pesquisa e monitoramento eleitoral CeSID ‌e Ipsos estimaram comparecimento de 67,6% até as 19h, o maior desde a dissolução da ⁠Iugoslávia, em 1992.

As urnas foram fechadas às 20h (horário local) e os primeiros resultados eram esperados por volta das 22h.

Uma vitória do movimento estudantil representará uma mudança política profunda no país balcânico de cerca de 6 milhões de habitantes, comparável à derrota sofrida pelo premiê húngaro Viktor Orban em abril. Também poderá servir de modelo para outros movimentos estudantis na Europa, que têm ido às ruas nas últimas semanas ‌para protestar, em alguns casos de forma violenta, contra a baixa qualidade da educação e a falta de ‌perspectivas.

"Isso (o comparecimento) não me surpreendeu porque ⁠uma massa grande e ⁠forte se formou ao longo dos últimos dois anos", afirmou a eleitora Katarina Petrovic.

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Vucic, que renunciou ao segundo mandato presidencial ⁠para disputar o cargo de primeiro-ministro, segue sendo um ‌candidato forte. Muitos eleitores lhe atribuem ‌o mérito de ter tirado a Sérvia da estagnação econômica e promovido um período de modernização com a construção de rodovias, ferrovias, escolas e hospitais.

DISPUTA ACIRRADA

Vucic prometeu aumentar aposentadorias e salários do setor público e ampliar investimentos na saúde estatal. Na política externa, buscou estreitar laços com ⁠a China, importante investidora no país, e manteve a proximidade com a Rússia, tradicional aliada da Sérvia e principal fornecedora de gás natural.

Ao mesmo tempo, continua defendendo a entrada do país na União Europeia, seu maior parceiro comercial, embora o bloco tenha demonstrado crescente frustração com a falta de reformas.

"Votei por nossas crianças, nossos jovens... nossos filhos merecem paz ‌e trabalho, e só Vucic pode proporcionar isso", disse Hatidza, uma mulher de etnia cigana.

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A agenda doméstica do movimento estudantil inclui combater a corrupção e melhorar a educação, mas seus integrantes têm falado ⁠menos sobre objetivos de política externa. A chapa apresentada reúne 250 candidatos em sua maioria desconhecidos nacionalmente, entre eles professores universitários, atores e agricultores, e é liderada pelo cardiologista Ilija Srdanovic. Ainda não está claro, porém, quem assumiria o cargo de primeiro-ministro em caso de vitória.

"Espero que este dia transcorra em um ambiente democrático, em paz, e que elejamos legitimamente um novo governo para a Sérvia", disse Srdanovic após votar em Novi Sad pela manhã.

Após votar, Vucic afirmou que respeitará o resultado.

"Se perdermos, reconheceremos a vontade dos eleitores. Se vencermos, ninguém vai tirar isso de nós", declarou.

Pesquisas de opinião realizadas antes da votação apontavam uma disputa apertada pelas 250 cadeiras do Parlamento. O presidente da Comissão Eleitoral, Vladimir Dimitrijevic, afirmou que a votação transcorreu sem incidentes, embora a polícia tenha isolado a via de acesso ao prédio da comissão. As entidades de monitoramento CeSID e CRTA relataram ocorrências relacionadas ao cadastro eleitoral e ao sigilo do voto.

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