Um forte terremoto de magnitude 7,2 na escala Richter atingiu a região da costa central da Venezuela, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
O terremoto ocorreu às 18h04 no horário local e teve seu epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.
O USGS registrou uma réplica quase imediata ao primeiro tremor, porém mais forte, de magnitude 7,5, nas proximidades do município de Yumare, um pouco mais ao norte do epicentro inicial.
Segundo o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, os tremores foram sentidos nos estados de Trujillo, Yaracuy, Carabobo, Miranda e La Guaira, além de Caracas.
Até o momento, a extensão dos danos causados pelo tremor ainda não é conhecida. Imagens que chegam de Caracas, no entanto, mostram desabamento de alguns edifícios e outros com danos significativos.
O tremor também foi sentido em partes da Região Norte do Brasil. O prefeito de Belém, Igor Normando, anunciou que prédios chegaram a ser esvaziados em algumas áreas da cidade como precaução, mas não houve danos ou vítimas.
"Seguimos monitorando a situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança da população", acrescentou.
'O mais forte que senti na vida'
"Foi o tremor mais forte que senti na minha vida", diz Nicole Kolster, jornalista e colaboradora da BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Ela mora no 7º andar de um apartamento no bairro Los Palos Grandes, no centro de Caracas, onde o terremoto foi sentido com intensidade.
"Começou a tremer, vi como as janelas se moviam, e o que me ocorreu fazer foi me colocar entre a porta de entrada e uma parede de pedra, que, na minha opinião, é bastante resistente, para tentar me proteger", relata Kolster.
Ela permaneceu ali "por um bom tempo", até que ouviu os vizinhos gritarem para que descesse à rua.
"É a primeira vez em 37 anos que sinto um sismo dessa magnitude. Foi tão forte que pensei que o prédio fosse cair sobre mim", relata, enquanto conta à BBC News Mundo que, entre os escombros de um edifício desabado, é possível ouvir pessoas pedindo socorro.
Nas fotos e vídeos compartilhados, vê-se os vizinhos na rua, alguns chorando, outros abraçados.
Diversos edifícios foram evacuados na capital. Uma testemunha relatou à Reuters que o tremor causou rachaduras em seu apartamento e que os vidros se quebraram.
"O prédio estava balançando. A polícia me ajudou a descer porque eu não conseguia", disse María Romero, uma aposentada de 80 anos que vive no sul de Caracas.
Alertas de tsunami foram emitidos para a Venezuela, Aruba e Bonaire, além de avisos preventivos para Porto Rico e as Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com o Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos.
Cabello confirmou à televisão estatal que casas e edifícios desabaram em consequência do terremoto e acrescentou que "todos os órgãos de segurança e assistência, proteção civil, voluntários, bombeiros e policiais estão mobilizados".
O ministro pediu a todos os venezuelanos nas áreas afetadas que evacuem os edifícios para permanecerem em segurança em caso de novas réplicas e fez um apelo por calma.
Sobre a capital, informou que "há várias áreas em situação complicada", na zona leste da cidade, como os bairros de Los Palos Grandes e Altamira, onde "há situações alarmantes" devido ao desabamento de construções.
Vídeos publicados nas redes sociais mostravam dezenas de pessoas em pânico dentro do Aeroporto Internacional de Maiquetía, enquanto danos estruturais significativos eram registrados no local.
O fornecimento de gás natural canalizado, que abastece milhares de residências nas cidades venezuelanas, foi interrompido como medida de precaução para evitar "algum tipo de acidente", informou o ministro.
O serviço de energia elétrica e o sinal de internet foram interrompidos imediatamente após o terremoto em várias partes da cidade.