Viúva de tripulante do Titan diz que restos mortais do marido e do filho foram entregues em caixas de sapatos 'Viraram lama'

Titan implodiu com cinco tripulantes a bordo durante uma expedição aos destroços do Titanic, no Atlântico Norte, em junho de 2023

25 abr 2026 - 20h39
(atualizado às 21h55)
Shahzada Dawood e o filho Suleman
Shahzada Dawood e o filho Suleman
Foto: Reprodução/X

Quase três anos após a implosão do submersível Titan, Christine Dawood, viúva de Shahzada Dawood e mãe de Suleman, ambos mortos na tragédia, revelou novos detalhes sobre o acidente. Ela afirmou que os restos mortais dos familiares só foram recuperados nove meses depois e entregues em duas pequenas caixas, “parecidas com caixas de sapatos”. Devido à implosão do submersível, os corpos dos tripulantes teriam foram desintegrados, e os restos mortais, segundo ela, foram descritos como uma espécie de “lama”.

“Só recebemos os corpos nove meses depois [...] Bem, quando digo corpos, quero dizer a lama que sobrou. Eles vieram em duas caixas pequenas, parecidas com caixas de sapatos”, disse em entrevista ao The Guardian.

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“Não encontraram muita coisa”, continuou. Ela explicou ainda que o DNA dos restos mortais encontrados foi meticulosamente testado pela Guarda Costeira dos EUA. “Eles têm uma pilha enorme que não conseguem separar, tudo DNA misturado, e me perguntaram se eu queria um pouco disso também. Mas eu disse que não, só o que vocês sabem que é de Suleman e Shahzada”, recordou. 

Ela também revelou que preserva as coisas que eram de seu filho e marido. Tanto o quarto de Suleman quanto o escritório do marido permaneceram intactos. Há também uma maquete do Titanic no centro da cozinha, da qual ela se recusa a se desfazer porque Suleman, que tinha 19 anos, teve a paciência para montar o conjunto de Lego de 9.090 peças.

Imagens inéditas mostram submersível Titan no fundo do mar após implosão
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Christine ainda tenta blindar a sua filha de 20 anos para que ela não seja conhecida como "a garota que perdeu o pai e o irmão no Titan ". Ela conta que vive altos e baixos em suas emoções diariamente. “Então, vou ao quarto de Suleman. Às vezes, encontro o gato dormindo em seu travesseiro, e me sento na cama e deixo o luto me envolver.”

A mulher também compartilhou o conselho mais importante que recebeu de um membro da Guarda Costeira Canadense após a tragédia. “Olhar para trás não vai te ajudar, então não caia nessa armadilha. Só porque você sabe disso agora… você não sabia antes”, lembrou.

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O conselho da mulher foi especialmente impactante porque Christine inicialmente deveria ir à excursão ao Titan com o marido, mas depois permitiu que o filho fosse em seu lugar. “Sempre me lembro dela me dizendo isso”, refletiu. “Suleman queria ir, e eu fiquei feliz em ceder o lugar, por ele poder criar memórias com o pai. Não posso mudar isso”, finalizou.

Relembre o caso

Em junho de 2023, o submarino da OceanGate partiu para uma expedição aos destroços do Titanic – famoso navio que afundou em 1912, localizado a aproximadamente 600 km da costa do Canadá a 3.800 metros de profundidade. A comunicação com o Titan foi perdida à 1h45m do início da expedição, mas a empresa só notificou as autoridades sobre o desaparecimento 8 horas depois, dia 18.

Christine Dawood fala sobre implosão do submersível Titan
Foto: Reprodução/BBC

Estavam a bordo do submarino o bilionário britânico Hamish Harding, 58, o empresário paquistanês Shahzada Dawood, 49, e seu filho Suleiman Dawood,19, Paul-Henri Nargeolet, 73,  especialista nos destroços do Titanic e mergulhador, e Stockton Rush, 61, CEO da OceanGate Expeditions.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos encontrou os destroços do Titan no dia 22 de junho. Partes do submarino estavam a 487 metros de distância da proa do Titanic, a 3.800 metros de profundidade.

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As investigações sobre o acidente foram concluídas em agosto de 2025 e apontaram que a tragédia poderia ter sido evitada. Em um relatório de mais de 300 páginas, o Conselho de Investigação da Marinha da Guarda Costeira dos Estados Unidos classificou o submersível como um “projeto de ensino médio” e identificou como principais fatores contribuintes o “processo inadequado de design, certificação, manutenção e inspeção da OceanGate para o Titan”. 

O documento também cita uma “cultura tóxica no local de trabalho” da empresa, com “um quadro regulatório doméstico e internacional inadequado para operações submersíveis” e um “processo de denúncia ineficaz sob a Lei de Proteção do Marinheiro”.

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Fonte: Portal Terra
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