Morte de Francisco, o 'Papa dos Pobres', completa um ano nesta terça

Argentino comandou Igreja Católica Romana por mais de uma década

20 abr 2026 - 14h37
(atualizado às 14h55)

Era 21 de abril de 2025 quando o mundo recebeu a notícia que rapidamente ecoaria por todos os continentes: a morte do papa Francisco, líder da Igreja Católica Romana por mais de uma década, aos 88 anos, após uma longa batalha contra a pneumonia.

O falecimento, que completa um ano nesta terça-feira (21), foi anunciado pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Santa Sé, com as seguintes palavras: "Queridos irmãos e irmãs, é com dor profunda que devo anunciar a morte do nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o bispo de Roma, Francisco, voltou para a casa do Pai".

Publicidade

O anúncio surpreendeu muitos fiéis, principalmente porque, apenas um dia antes, o pontífice argentino havia aparecido na Praça São Pedro, no Vaticano, para celebrar a tradicional missa de Páscoa e conceder a bênção "Urbi et Orbi" ("À cidade e ao mundo").

Mesmo debilitado após uma internação causada por bronquite e pneumonia, Francisco fez questão de estar entre o povo, renovando seu constante apelo pela paz para pôr fim ao que frequentemente descrevia como uma "terceira guerra mundial fragmentada".

Em seu último gesto público, percorreu a praça a bordo do papamóvel, sendo saudado por milhares de católicos, em uma espécie de "último abraço com o povo".

O pontificado de Francisco foi considerado um dos mais singulares da história recente da Igreja Católica. Primeiro papa latino-americano e jesuíta, ele imprimiu um estilo pastoral marcado pela simplicidade e pela proximidade com os mais vulneráveis.

Publicidade

Desde sua eleição, em 13 de março de 2013, abandonou símbolos tradicionais de poder, preferindo uma vida mais austera. Optou por residir na Casa Santa Marta, em vez do Palácio Apostólico, permanecendo no modesto quarto 201, que ao longo de mais de uma década se tornou símbolo de seu modo de governar.

Sua atuação foi profundamente voltada aos marginalizados: pobres, migrantes, refugiados e vítimas de abusos encontraram espaço e voz dentro do Vaticano. Francisco também ficou conhecido por sua linguagem direta e acessível, muitas vezes rompendo com o tom formal historicamente associado ao papado.

Bergoglio se notabilizou por um pontificado reformista e de teor progressista, o que atraiu popularidade entre os não católicos e críticas de alas mais conservadoras da Igreja.

A defesa da paz foi uma das marcas centrais do período em que ocupou o trono de Pedro. Em praticamente todos os seus discursos, audiências e orações públicas, ele reiterava apelos pelo fim dos conflitos armados, com consideração pelos mais vulneráveis - as vítimas civis e, sobretudo, as crianças.

Publicidade

No dia 20 de abril, em sua última mensagem pública, o "Papa da paz" voltou sua atenção para a situação na Faixa de Gaza, classificando-a como "dramática e deplorável", e pediu cessar-fogo imediato, libertação de reféns e ajuda humanitária. Também mencionou a guerra na Ucrânia, expressando o desejo por uma paz "justa e duradoura".

Francisco faleceu em decorrência de um AVC seguido de uma parada cardiocirculatória, após uma batalha de mais de dois meses contra uma grave pneumonia. Em outro gesto que rompeu com tradições, o argentino já havia decidido em vida que não seria sepultado no Vaticano, mas sim na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, local de profunda devoção pessoal.

Após a morte, um dos conclaves mais rápidos da história elegeu o sucessor de Jorge Mario Bergoglio, em 8 de maio de 2025. O então cardeal Robert Prevost tornou-se Leão XIV, o primeiro pontífice norte-americano, e sinalizou uma continuidade ao legado de Francisco, defendendo uma "paz desarmada e desarmante".  

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações