Grupos rivais se enfrentam na capital do Níger após rebeldes atacarem aeroporto e a Presidência

29 ago 2026 - 14h47
Resumo
Soldados amotinados atacaram o aeroporto e o palácio presidencial em Niamei, capital do Níger, gerando intensos confrontos e desafiando o governo militar de Abdourahamane Tiani. Forças leais reagiram para conter a revolta, impulsionada pela insatisfação das tropas com as frequentes baixas sofridas no combate a grupos jihadistas. Especialistas alertam que a instabilidade interna enfraquece a segurança nacional e pode favorecer o avanço terrorista na região do Sahel.

Soldados amotinados no Níger atacaram o aeroporto e a ‌Presidência na capital, Niamei, na madrugada deste sábado, provocando horas de tiroteios e explosões e interrompendo temporariamente a transmissão da televisão e do rádio estatais.

No final da manhã, o Ministério da Defesa do Níger informou que as Forças Armadas estavam retomando gradualmente os locais tomados no ataque ocorrido durante a madrugada, mas fontes de segurança afirmaram que os amotinados ainda estavam no ⁠aeroporto à tarde e que a situação geral continuava incerta.

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O ataque representou a mais recente ameaça ‌ao governo de Abdourahamane Tiani, que tomou o poder em um golpe de Estado em 2023. Tiani havia prometido melhorar a segurança no país do Sahel, um importante produtor de ‌urânio, mas os ataques jihadistas continuaram.

A televisão estatal, após retomar ‌as transmissões, exibiu uma mensagem informando que soldados amotinados de uma base em Niamei haviam ⁠aberto fogo contra "locais sensíveis" na cidade.

As forças de segurança reagiram rapidamente e "contiveram esse distúrbio", informou a emissora.

No início deste ano, grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico realizaram ataques ao aeroporto civil e à base aérea militar, levando alguns observadores de segurança a suspeitar inicialmente que militantes estivessem por trás do ataque deste sábado.

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Mesmo que Tiani sobreviva ao motim, a agitação ‌aumenta a possibilidade de que recursos que, de outra forma, seriam gastos no combate aos jihadistas precisem ‌ser direcionados para o combate ⁠a ameaças internas, disse ⁠Heni Nsaibia, analista sênior para a África Ocidental do Armed Conflict Location & Event Data (ACLED).

"Os grupos jihadistas serão os ⁠únicos vencedores nessa situação", disse ele.

SOLDADOS DE FORA ‌DA CAPITAL SE JUNTAM AO MOTIM

Uma ‌testemunha da Reuters relatou tiros no aeroporto e na base aérea militar, onde estão estacionadas forças russas e italianas, além de fortes explosões nas primeiras horas da madrugada.

Às 10h (horário local), o palácio presidencial parecia ter sido protegido por tropas leais, mas a área ⁠ao redor do aeroporto ainda era disputada, segundo duas fontes de segurança e um diplomata.

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O comunicado do Ministério da Defesa referiu-se a uma tentativa dos amotinados de "deter alguns de seus companheiros" na base aérea militar, sem fornecer detalhes.

Duas fontes afirmaram que tropas leais ao governo haviam sido enviadas para retomar o controle do aeroporto, seja ‌por meio de negociações, seja pela força.

O ataque também envolveu soldados das localidades de Ouallam, Tera e Dosso, no sudoeste, segundo uma fonte de segurança do Níger e Yvan Guichaoua, ⁠pesquisador sênior do Centro Internacional de Estudos sobre Conflitos de Bonn.

As tropas nessa área sofreram pesadas baixas em combates contra a filial regional do Estado Islâmico, e analistas e fontes de segurança afirmam que a frustração com o governo está aumentando entre as unidades da linha de frente.

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"Há apenas uma semana, cerca de 18 soldados foram mortos em um ataque à sua posição na região sul de Dosso. Esses ataques com grande número de vítimas contra as Forças Armadas do Níger estão se tornando comuns e continuarão a alimentar a agitação e agravar as tensões nas fileiras do Exército", disse Nsaibia.

Não ficou claro quantos soldados aliados aos amotinados haviam entrado em Niamei nem onde eles se posicionaram.

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