Com alta de 17,5% em relação a 2022, a Itália soma 38.829 eleitores brasileiros aptos a votar em 2026, concentrados em Roma e Milão, sendo o 7º maior colégio eleitoral no exterior. As mulheres representam a maioria expressiva, com 71% dos votantes. Contudo, a abstenção é elevada devido às longas distâncias e aos custos com transporte e alimentação que muitos cidadãos enfrentam para chegar aos únicos locais de votação. Ambulantes também aproveitaram o pleito para vender quitutes típicos.
Gina Marques, correspondente da RFI em Roma
Alguns ambulantes aproveitam a ocasião para vender quitutes típicos do Brasil. Cada salgadinho ou doce custa € 5, cerca de R$ 30,00. "Temos coxinha, empadinha e pão de queijo, paçoca e brigadeiro", conta uma vendedora.
Nenhum dos vendedores aceita dar entrevistas ou permite que sejam gravadas imagens: "Não podemos por causa da fiscalização". Na Itália é proibida a venda de alimentos sem licença das autoridades. Nas últimas eleições, em 2022, alguns vendedores ambulantes na Piazza Navona tiveram a mercadoria confiscada pela polícia.
Com quase 39 mil eleitores, a Itália tem o sétimo maior eleitorado brasileiro no exterior e o quarto maior da Europa. Roma e Milão concentram a votação deste ano. Nestas eleições de 2026, 38.829 brasileiros residentes no país estão aptos a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa crescimento de 17,5% em relação a 2022 e corresponde a 9,38% do eleitorado brasileiro registrado na Europa.
No continente europeu, a Itália fica atrás de Portugal, Alemanha e Espanha. No cenário mundial, aparece na sétima posição, atrás de Estados Unidos, Portugal, Japão, Canadá, Alemanha e Espanha.
A votação em território italiano é concentrada em Roma e Milão. Na capital, 14.197 eleitores podem votar na Embaixada do Brasil, na Piazza Navona. Já em Milão estão registrados 24.632 eleitores, que são recebidos em um centro de provas localizado na Via dei Valtorta, na região norte da cidade.
Durante as eleições presidenciais, as cidades de Milão e Roma têm, cada uma, um único local de votação com diversas urnas. A jurisdição de Milão cuida das oito regiões do norte e a de Roma é responsável pelas 12 regiões do centro e do sul do país.
Os brasileiros que vivem distantes destas cidades têm que viajar pagando as próprias despesas para poder votar. O custo do transporte e alimentação, além das longas horas de viagem são apontados como as principais causas da abstenção. Para muitos eleitores brasileiros que moram longe desses grandes centros, votar representa um desafio.
Brasileiros viajam para votar
A brasileira Consuelo Carvalhais Maciel mora em Lecce, na região de Puglia, no sul do país, a cerca de 700 quilômetros de distância de Roma. Ela conta à RFI que pegou um ônibus ontem às 22h30m e chegou em Roma às 7h.
"Hoje vou pegar o trem às 18h30 e vou chegar em Lecce por volta de 0h30. É difícil, mas vale a pena. Tanto que já comprei outra passagem ida e volta para o segundo turno, se houver".
Consuelo trabalha como cuidadora de idosos. Ela afirma que gastou € 110 com as quatro passagens, cerca de R$ 650,00.
Em Roma, a Embaixada do Brasil mantém a votação no térreo do edifício da Piazza Navona, o Palazzo Pamphilj, com organização das entradas de acordo com as seções eleitorais.
A freira Maria das Dores Passos afirma que o voto obrigatório é um benefício para a população. "Graças a Deus podemos exercer o nosso direito de votar", declara à RFI. Segundo ela, alguns candidatos erram em envolver a religião na política.
"Cada pessoa segue a sua religião com honestidade e justiça. Não se deve usar uma religião para diminuir a outra fé", diz a religiosa católica.
As urnas estão abertas das 8h às 17h, pelo horário local. A composição do eleitorado brasileiro na Itália também chama atenção. As mulheres são maioria, com 27.524 eleitoras, ou 71% do total, enquanto os homens somam 11.305. A faixa etária mais numerosa é a de 45 a 49 anos, com 5.567 eleitores.