Christa Pike, a americana que seria executada com pena de morte no Tennessee, sobrevive a duas injeções letais

Seu advogado afirma que ela está recebendo 'medidas para salvar sua vida' no hospital após a administração de duas seringas de pentobarbital.

1 out 2026 - 05h09
(atualizado às 19h49)
Resumo
Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a duas tentativas de injeção letal no Tennessee e está hospitalizada em estado crítico. Condenada à morte em 1996 pelo assassinato de Colleen Slemmer, ela seria a primeira mulher executada no estado em mais de dois séculos. Após as doses de pentobarbital falharem em provocar o óbito, seus advogados conseguiram socorro médico imediato. O ocorrido levou o governador Bill Lee a ordenar uma revisão dos procedimentos e a suspender as demais execuções previstas para o ano.
Christa Pike tinha 18 anos em 1995 quando espancou e matou outra adolescente
Christa Pike tinha 18 anos em 1995 quando espancou e matou outra adolescente
Foto: Tennesse Department of Corrections / BBC News Brasil

A americana Christa Pike, condenada à morte no Tennessee, está hospitalizada em "estado crítico" depois que duas tentativas de injeção letal falharam, informou seu advogado.

"Não temos noção do prognóstico dela nem muitas atualizações sobre seu estado de saúde no momento", disse o advogado Randy Spivey a repórteres nesta quinta-feira (01/10). "Mas sabemos que ela está viva agora."

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Pike, de 50 anos, está agora "recebendo medidas para salvar sua vida" no hospital após duas seringas de pentobarbital terem sido aplicadas.

A mulher foi condenada à morte em 1996 pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos. Sua execução foi alvo de uma batalha judicial de última hora.

Isso culminou com a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizando que as injeções letais fossem aplicadas.

Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.

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Pike tinha 18 anos quando ela e seu então namorado, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e mataram a jovem Colleen Slemmer, de 19 anos, que haviam conhecido em um programa de treinamento profissional para adolescentes com problemas.

A mãe de Slemmer, May Martinez, estava entre os que acompanhavam a tentativa de execução de Pike. Falando à NBC News após os acontecimentos da noite de quarta-feira (30/09), ela disse: "Foi uma bagunça."

A tentativa de execução ocorreu na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville, por volta das 20h no horário local (21h no horário de Brasília).

Pike recebeu duas doses de pentobarbital, e a cortina da sala de testemunhas foi fechada duas vezes, informou a agência de notícias AP.

Em determinado momento, representantes da imprensa foram orientados a deixar o local, informou a agência.

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A AP acrescentou que o protocolo de execuções do Tennessee prevê um conjunto secundário de seringas com as substâncias caso a pessoa submetida à execução não morra após o primeiro conjunto. Mas o protocolo não especifica o que acontece se a pessoa continuar viva após o segundo conjunto.

Em comunicado divulgado pela imprensa dos EUA, o governador do Tennessee, Bill Lee, afirmou ter determinado "uma revisão abrangente por terceiros para determinar exatamente o que ocorreu".

Ele determinou que todas as outras execuções planejadas para esse ano sejam suspensas.

A tentativa de execução de Pike não foi a primeira a ter falhado no Tennessee.

Tony Carruthers, condenado pelo sequestro e assassinato de três pessoas em 1994, teve sua execução adiada em maio depois que funcionários não conseguiram encontrar uma veia para administrar a droga letal.

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O Departamento de Correção do Tennessee declarou que mantém sua posição de que todas as medidas tomadas durante a tentativa de execução de Pike foram apropriadas.

"O Departamento de Correções do Tennessee seguiu cada etapa do protocolo de execução legal e estabelecido pelo Estado, aprovado pelo Gabinete do Procurador-Geral", disse a porta-voz do departamento, Dorinda Carter, ao jornal Tennessean.

"A substância usada na injeção letal prevista no protocolo tem se mostrado consistentemente eficaz, e o protocolo não permite procedimentos adicionais além dos que foram realizados nesta noite. Christa Pike foi transferida para uma unidade médica fora do local", afirmou ela.

A equipe jurídica de Pike declarou em um comunicado ao jornal Tennessean: "Esta noite, o Estado do Tennessee mais uma vez falhou em realizar uma execução legal".

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"Não sentimos satisfação em estar certos, mas as preocupações levantadas pela senhora Pike se mostraram verdadeiras: dificuldade de acesso venoso, veias rompidas, pentobarbital degradado, ausência de atendimento médico de emergência disponível quando as coisas inevitavelmente dão errado, tudo isso sob um protocolo que permanece envolto em sigilo."

Os advogados de Pike apresentaram um pedido de emergência para suspender sua execução e fornecer atendimento médico após a injeção letal aparentemente ter sido mal administrada.

O juiz distrital Clifton L. Corker emitiu uma decisão afirmando que "os profissionais de saúde começaram a prestar os cuidados médicos solicitados no pedido".

Joel Zivot, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Emory, que disse à BBC ter sido contratado pela equipe jurídica de Pike como especialista médico, afirmou que ela provavelmente nunca atingiu uma concentração sanguínea de pentobarbital suficiente para provocar apneia e falência cardiovascular durante a tentativa de execução.

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"É muito possível que, como consequência do atraso no início da ressuscitação, ela sofra uma lesão cerebral", disse Zivot em um e-mail.

A tentativa de aplicação da pena de morte ocorreu depois que várias contestações judiciais de última hora apresentadas pelos advogados de Pike fracassaram.

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou duas tentativas distintas de impedir a aplicação da injeção letal.

No fim da quarta-feira, a mais alta corte dos EUA revogou uma suspensão concedida por uma instância inferior mais cedo naquele dia. O tribunal inferior havia determinado a suspensão, afirmando que precisava de mais tempo para analisar os argumentos apresentados no caso de Pike.

A Suprema Corte já havia rejeitado anteriormente um recurso apresentado pelos advogados de Pike, que argumentavam que os jurados não tiveram a oportunidade de considerar provas atenuantes sobre o histórico documentado de abusos sexuais sofridos por ela na infância antes de condená-la à morte, em 1996.

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A defesa afirmou que, durante anos, o Estado do Tennessee sustentou nos tribunais que ela mentia ao dizer que havia sido vítima de abuso sexual quando criança.

Mas, em uma audiência recente sobre o método de execução, o Estado declarou que não contestava que ela havia sofrido abuso sexual e estupro.

O governador do Tennessee negou, nesta semana, um pedido de clemência apresentado por Pike, a única mulher no corredor da morte do Estado.

May Martinez, mãe de Colleen Slemmer, do lado de fora de uma audiência judicial em 2006
Foto: J. Miles Carey/USA TODAY/Imagn Images via Reuters / BBC News Brasil

Em seu pedido de clemência, Pike afirmou que pretendia espancar Slemmer, não matá-la, mas que não conseguiu "pisar no freio".

"Eu era uma jovem de 18 anos com problemas mentais", disse ela em um comunicado. "Levei muitos anos para sequer perceber a gravidade do que eu havia feito. E ainda mais tempo para aceitar quantas vidas eu afetei. Tirei a vida da filha, irmã e amiga de alguém. Hoje me causa repulsa pensar que eu fosse capaz de cometer um crime assim."

O assassinato, em 1995, provocou grande repercussão na mídia em Knoxville, no Tennessee, depois que Colleen foi encontrada com um pentagrama invertido, símbolo associado a grupos satânicos, gravado em seu peito. Pike negou ter gravado o símbolo.

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Antes do assassinato, Pike acusou Colleen de insultá-la e de tentar roubar seu então namorado.

Duas outras pessoas presentes no alojamento testemunharam posteriormente que Pike havia se gabado do assassinato antes e depois do crime e lhes mostrou um pedaço do crânio de Colleen.

Martinez, mãe de Slemmer, disse no fim de semana que esperava havia décadas para ver a sentença de Pike ser cumprida.

Ela disse à agência AP que um grupo ajudou a arrecadar recursos para que ela e o marido viajassem da Flórida para o Tennessee para assistir à execução.

"Não passa um dia, nem um minuto, sem que eu pense na Colleen. Os feriados são os piores", disse Martinez.

Desde 1976, quando a Suprema Corte restabeleceu a pena de morte, apenas 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, em comparação com 1.663 homens. Isso representa cerca de 1% de todas as execuções realizadas no país.

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