O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro e narcotráfico, dias após ser sancionado pelos EUA por facilitar o tráfico de drogas via subornos. A operação, realizada em cooperação com Washington, desmantelou um esquema criminoso no sistema judicial, resultando na prisão de outros promotores e funcionários. O caso reflete a nova fase de aproximação entre o governo boliviano e os EUA no combate ao crime organizado.
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite da última quarta-feira (30), na cidade de Santa Cruz, sob suspeita de lavagem de dinheiro e narcotráfico.
A detenção ocorreu dois dias depois de os Estados Unidos revogarem seu visto e o incluírem em uma lista de autoridades latino-americanas sancionadas por supostamente aceitar subornos para facilitar o tráfico de drogas.
Na madrugada desta quinta-feira (1º), a polícia surpreendeu quatro pessoas tentando retirar maços de dinheiro da residência de Mariaca a bordo de uma ambulância. Um vídeo divulgado pelo Ministério do Interior mostra agentes removendo as cédulas dos painéis do veículo. "Uma organização criminosa entrincheirada no sistema judicial foi desmantelada", afirmou o ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, em entrevista coletiva.
Segundo Oviedo, a Procuradoria-Geral, sob o comando de Mariaca, "converteu-se em uma organização criminosa dedicada a proteger, fomentar e resguardar o narcoterrorismo". Ao todo, foram presos quatro promotores, seis funcionários da Procuradoria e as quatro pessoas encontradas na ambulância.
No início da semana, Washington proibiu a entrada de Mariaca e de seus familiares em território americano, alegando que o procurador "abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudou criminosos violentos a escapar da Justiça". Outros 12 bolivianos também foram sancionados, entre eles vários promotores de alto escalão e um coronel da polícia.
Oviedo afirmou que a prisão de Mariaca contou com a "cooperação do governo dos Estados Unidos", no âmbito da "luta contra o terrorismo". Já a Procuradoria-Geral informou que o promotor de maior hierarquia, Luis Montaño Morales, assumirá o cargo de Mariaca interinamente.
Por sua vez, o advogado de Mariaca, Romel Ipamo, declarou a veículos locais que seu cliente "cooperará plenamente" com a investigação, mas pediu garantias de "devido processo legal".
A prisão ocorre em um momento de aproximação entre a Bolívia e os Estados Unidos. O presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro de 2025, busca fortalecer os vínculos com Washington após duas décadas de governos socialistas, período marcado por hostilidade mútua.
Em março, Paz incorporou a Bolívia à "Aliança Escudo das Américas", coalizão liderada pelos EUA e integrada por governos latino-americanos de direita com a justificativa de combater o crime organizado transnacional.
Mariaca havia sido designado procurador-geral pelo Congresso em outubro de 2024 e investigava o consultor político argentino Fernando Cerimedo, ligado ao presidente Javier Milei, por tentativa de feminicídio e lavagem de dinheiro.
Cerimedo é tido como articulador de uma rede digital para políticos de extrema direita na América Latina e mantém ligações com a família Bolsonaro. .