EUA retiram tropas da coalizão antidjihadista do Iraque; especialistas temem retorno do grupo EI

A coalizão antidjihadista liderada pelos Estados Unidos encerra sua missão no Iraque nesta quarta-feira (30), após expulsar os jihadistas. A decisão da retirada das tropas, mobilizada há 12 anos no país, foi anunciada pelo ex-presidente Joe Biden em 2024 e está sendo agora colocada em prática pelo governo de Donald Trump.

30 set 2026 - 07h18
Resumo
A retirada das tropas dos EUA e da coalizão do Iraque foi celebrada pelo governo local como um marco de soberania, mas gerou fortes preocupações quanto à segurança regional. Especialistas e a população temem que o vácuo de poder favoreça a reorganização do Estado Islâmico, privado do suporte aéreo e logístico americano. Além disso, o recuo fortalece a influência do Irã e de suas milícias xiitas no país, aumentando as tensões geopolíticas e a pressão sobre o frágil governo iraquiano.

A coalizão, que deixou a Síria no início deste ano, começou sua retirada do Iraque em 2025, restringindo sua presença ao aeroporto de Erbil, capital da região autônoma do Curdistão iraquiano, no norte do país. O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaïdi, pediu à população que celebre o dia 1º de outubro, data seguinte à partida dos militares, como o "Dia da Soberania".

Veículos das forças de segurança do Iraque estacionados diante de um tribunal em Bagdá, onde seis franceses acusados de integrar o Estado Islâmico são julgados; coalizão liderada pelos EUA encerra missão no país após 12 anos.
Veículos das forças de segurança do Iraque estacionados diante de um tribunal em Bagdá, onde seis franceses acusados de integrar o Estado Islâmico são julgados; coalizão liderada pelos EUA encerra missão no país após 12 anos.
Foto: REUTERS - Ahmed Saad / RFI

Trata-se de um "evento nacional que marca a conclusão da trajetória do Iraque rumo à soberania e reforça a presença do Estado e de suas instituições", afirmaram na segunda-feira (29) os chefes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do país. 

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Embora a saída das forças americanas tenha o apoio dos iraquianos, a população teme que as forças de segurança treinadas e financiadas pelos Estados Unidos ainda não estejam à altura dos riscos que envolvem o país. A retirada das tropas americanas facilita a penetração do Irã e de seus aliados xiitas.

O grupo Kataeb Hezbollah, por exemplo, declarou na terça-feira (29) que a retirada das "forças de ocupação representa um primeiro passo para a conquista da plena soberania". Mas a organização advertiu o governo de Ali al-Zaïdi, apoiado por Washington: "Um governo que não trabalhe pelo bem de seu povo será derrubado por todos os meios possíveis".

Outro risco está relacionado ao fortalecimento do grupo Estado Islâmico (EI), que está tentando se reorganizar na região. "A lição dos últimos vinte anos é que os 'vazios de segurança' podem ser extremamente perigosos", afirmou Djassim al Bahadli, especialista em movimentos armados xiitas alinhados ao Irã.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 para derrubar o líder sunita Saddam Hussein. Em seguida, ocuparam o país, instalaram um governo de maioria xiita e combateram durante anos uma rebelião composta por diversos grupos armados, principalmente jihadistas, antes de uma primeira retirada em 2011.

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Os americanos foram obrigados a retornar apenas três anos depois para ajudar as forças iraquianas a derrotar o Estado Islâmico entre 2014 e 2017. Apesar da derrota de seu autoproclamado califado há quase dez anos, o grupo ainda mantém sua rede ativa. No auge de sua expansão, o EI controlava um terço do território iraquiano.

Sem a inteligência, o apoio logístico e os drones fornecidos pelos Estados Unidos, o grupo terá uma oportunidade de recompor suas forças, prevê o comandante militar curdo Sirouane Barzani. "A questão mais importante hoje é saber se as instituições de segurança iraquianas prepararam um plano B viável para a fase pós-coalizão", declarou o general reformado do Exército iraquiano Mohammed al Djoubouri, que comandou uma brigada durante a guerra contra o Estado Islâmico.

"Um dos piores cenários seria o Estado Islâmico obter drones armados ou drones equipados com artefatos explosivos improvisados, enquanto o Iraque ainda não dispõe de capacidades de defesa aérea suficientes para neutralizar de forma eficaz esse tipo de ameaça.

"O que preocupa ainda mais não é necessariamente uma intervenção direta do Irã, mas a possibilidade de que os grupos aliados a Teerã se sintam cada vez mais fortalecidos na ausência de uma presença militar ocidental", afirmou Ahmed Younis, analista político baseado em Bagdá. "Esses grupos poderão tentar ampliar seu papel na formulação das políticas do Estado e consolidar sua presença em instituições-chave."

Vitória do "eixo da resistência", diz Irã

O Irã afirma ter como objetivo final a expulsão das forças americanas de todo o Oriente Médio e apresenta a retirada dos EUA do Iraque como uma vitória de seu "eixo da resistência", formado por grupos armados aliados em toda a região.

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Durante a guerra no Oriente Médio, que começou em fevereiro após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, as facções intensificaram seus ataques, tendo como principal alvo as tropas da coalizão baseadas no Curdistão iraquiano.

Com agências

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