A OIM alerta para o risco iminente de colapso da ajuda humanitária no Sudão por falta de verbas. O conflito civil já deixou mais de 200 mil mortos e 13 milhões de deslocados, na mais grave crise mundial atual. Sem financiamento imediato, estoques vitais e operações do Corredor Humanitário se esgotarão nos próximos meses. A agência precisa de ao menos US$ 15 milhões para manter o atendimento mínimo a 305 mil pessoas, valor que pode chegar a US$ 42 milhões para socorrer até 1 milhão de sudaneses.
"Todo o sistema humanitário pode entrar em colapso em algumas semanas se não agirmos agora. Sem novos financiamentos, não conseguiremos levar ajuda aonde ela é mais necessária", declarou a diretora-geral da OIM, Amy Pope, citada em um comunicado.
"Simplesmente não podemos virar as costas para o povo do Sudão quando ele mais precisa de nós, em meio à escalada do conflito, ao aumento dos deslocamentos populacionais e às consequências das fortes chuvas", acrescentou.
O chamado "Corredor Humanitário Comum da OIM" permitiu levar ajuda a 2,84 milhões de pessoas desde julho de 2023. O sistema permite à OIM e a mais de 100 ONGs parceiras, nacionais e locais, distribuir abrigos e itens essenciais não alimentares em todo o país.
Mais de um milhão de pessoas receberam assistência por meio desse mecanismo em 2024. O número caiu para 804 mil em 2025. Em 2026, até agora, a OIM forneceu abrigos de emergência e kits de ajuda emergencial a 330 mil pessoas, segundo o comunicado.
"Sem apoio imediato dos doadores, os atuais itens essenciais de socorro - abrigos, materiais de saneamento e kits domésticos de emergência - deverão se esgotar até o fim de setembro de 2026", afirma a OIM.
E "as capacidades de armazenamento e operacionais que mantêm o Corredor em funcionamento só poderão ser garantidas até dezembro", prossegue a organização.
Guerra já matou mais de 200 mil
A guerra no Sudão, que desde abril de 2023 opõe o Exército às Forças de Apoio Rápido (FSR), grupo paramilitar que anteriormente era aliado das forças armadas, matou mais de 200 mil pessoas, segundo trabalhadores humanitários, e provocou o deslocamento de mais de 13 milhões de sudaneses. Segundo a ONU, trata-se da mais grave crise humanitária do mundo.
De acordo com a OIM, retomar o mecanismo após uma eventual interrupção seria um processo complexo, caro e demorado, exigindo recursos substanciais para restabelecer as cadeias de abastecimento, os sistemas operacionais e as redes de coordenação entre os parceiros.
A OIM precisa de US$ 15 milhões para manter o Corredor em sua capacidade mínima de 2026 durante 12 meses e atender 305 mil pessoas.
Uma contribuição de US$ 27 milhões permitiria restabelecer a assistência em um nível próximo ao de 2025 e atender 570 mil pessoas. Já US$ 42 milhões permitiriam ampliar a operação para oferecer apoio vital imediato a até 1 milhão de pessoas.
com AFP