Lula diz que Brasil é "dono do próprio nariz" e não quer um "imperador do mundo"

24 jul 2025 - 15h17

Durante agenda oficial em Minas Gerais, nesta quinta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a postura do presidente dos Estados Unidos Donald Trump em relação ao Brasil. Em tom enfático, o chefe do Executivo afirmou que o país não aceitará pressões externas e rejeitou a figura de um "imperador do mundo".

Lula participa de cerimônia em Minas Gerais
Lula participa de cerimônia em Minas Gerais
Foto: Reprodução/ CanalGov / Perfil Brasil

As declarações foram feitas no Vale do Jequitinhonha, durante evento voltado à educação quilombola. Na ocasião, Lula disse que Donald Trump "não quer conversar" sobre a possível tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto.

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"Ele não quer conversar, se ele quisesse conversar ele pegava o telefone e me ligava. [...] Com todo mundo eu converso, mas ele não quis conversar... Então o que acontece? Ele nos deu até o dia 1º [de agosto]. Se nós não dermos a resposta no dia 1º, ele vai taxar o nosso comércio em 50%. Vou contar uma coisa pra vocês: eu não sou mineiro, mas eu sou bom de truco e se ele tiver trucando, ele vai tomar um seis", afirmou o presidente.

Brasil vai recuar ou revidar?

Lula criticou a carta enviada por Trump ao governo brasileiro, na qual o republicano pede o fim da "perseguição" ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Lula, a atitude foi desrespeitosa com o sistema de justiça brasileiro. "Ele acredita em bruxa? Alguém aqui acredita em bruxa para ter caça às bruxas. Ele mandou uma carta pedindo para pararem de perseguir o [Jair] Bolsonaro. Um desaforo desrespeitoso com o Brasil e a justiça brasileira", disse.

A resposta brasileira ao chamado "tarifaço" ainda está em discussão. Lula já declarou anteriormente que pretende aplicar a Lei da Reciprocidade, que prevê medidas similares em reação a barreiras comerciais de outros países. No entanto, dentro do próprio governo há quem defenda cautela, especialmente entre empresários e integrantes da equipe econômica.

"Mas ele não quis conversar. Ele nos deu até o dia 1º [de agosto]. Se não dermos resposta até o dia 1º, ele vai taxar nosso comércio em 50%. Vou contar uma coisa para vocês: eu não sou mineiro, mas eu sou bom de truco", ironizou, antes de concluir: "Se Trump estiver 'trucando', ele 'vai tomar um seis'".

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O presidente também lembrou de sua relação com outros ex-líderes americanos, como Bill Clinton e George W. Bush, com quem, segundo ele, manteve diálogo aberto e respeitoso. Sem citar diretamente os nomes, Lula criticou a postura de Trump: "Eu converso com todo mundo, mas sobretudo com quem quer conversar. Se os EUA quiserem negociar, o Lulinha estará pronto para negociar. Mas desaforo só da Dona Lindu [mãe de Lula], e ela não fazia desaforo".

"Se quiserem negociar, nós vamos negociar. Nós temos os melhores negociadores do mundo", reforçou.

O evento em que Lula falou faz parte do I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Sudeste, promovido por diversos ministérios. A cerimônia reuniu lideranças locais, educadores e representantes de movimentos sociais ligados à educação, igualdade racial e povos indígenas.

Em nova declaração feita na quarta-feira (23), Trump reafirmou a intenção de aplicar tarifas que podem variar de 15% a 50%, dependendo do relacionamento dos Estados Unidos com cada país. Segundo ele, a alíquota máxima será direcionada a nações com as quais os Estados Unidos "não estão se dando bem".

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