Um terceiro militar está desaparecido após Teerã bombardear a Jordânia com mísseis balísticos e drones. Conflito voltou a se intensificar em meio a disputa por controle de Ormuz.Os militares dos Estados Unidos confirmaram neste sábado (18/07) a morte de dois soldados após um ataque a uma base na Jordânia. Um terceiro militar segue desaparecido.
As mortes ocorreram na sexta-feira, enquanto forças dos EUA e de países aliados se defendiam de ataques com mísseis balísticos e drones, informou um comunicado. Outros quatro militares foram evacuados para hospitais jordanianos e posteriormente receberam alta.
Desde o início da guerra, 16 militares americanos foram mortos e mais de 430 ficaram feridos.
Poucos minutos antes, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, alertou para "lições inesquecíveis" caso os EUA continuem atacando a República Islâmica. As declarações foram lidas na televisão estatal; Khamenei segue sem aparecer em público desde que foi ferido por um bombardeio americano no início da guerra.
Khamenei também disse que a assinatura do presidente americano Donald Trump era "sem valor e inválida", horas depois de um negociador afirmar que o regime estava suspendendo seus compromissos firmados num acordo provisório assinado em junho e destinado a encerrar permanentemente os combates.
As declarações de Teerã romperam mais um frágil elo em um conflito persistente. Agora, Khamenei ameaça com "lições" não apenas vindas do Irã, mas também de seus grupos armados aliados na região.
Kuwait registra os danos mais graves
Os danos mais significativos provocados pelos ataques iranianos deste sábado ocorreram no Kuwait, onde uma usina de dessalinização de água e uma instalação petrolífera foram atingidas, segundo autoridades kuwaitianas e a Kuwait Petroleum Corporation.
Os ataques deixaram várias pessoas feridas na instalação petrolífera e provocaram um incêndio na usina de dessalinização, forçando o desligamento de várias unidades de geração de energia. Foi o segundo ataque contra uma usina de dessalinização em dois dias no pequeno país desértico, que depende desse processo para obter 90% de sua água potável.
Vários bombeiros e um trabalhador ficaram feridos enquanto combatiam outros dois incêndios provocados pelos ataques iranianos, segundo a Força de Bombeiros do Kuwait. O país fechou temporariamente seu espaço aéreo devido à ameaça de mísseis, e a Kuwait Airways informou que estava reprogramando a maioria dos voos de ida e volta à capital.
Iraque, Bahrein e Arábia Saudita também estiveram sob alerta neste sábado.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne seis países, Jasem Mohamed al-Budaiwi, acusou o Irã de cometer crimes de guerra ao atacar infraestrutura e instalações civis.
Ataques dos EUA atingem infraestrutura no Irã
O Comando Central dos EUA (Centcom) informou no início deste sábado ter atingido "centros de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas".
Ataques aéreos americanos atingiram uma usina de energia e dessalinização na província iraniana de Hormozgan, no sul do país, informou a televisão estatal iraniana. A agência IRNA afirmou que a usina de dessalinização de Bonji foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, e que uma usina de dessalinização na estratégica ilha de Qeshm, dentro do estreito, foi danificada.
Ataques durante a madrugada danificaram dois túneis e uma ponte, interrompendo uma das principais rodovias em direção a Bandar Abbas, o principal porto do Irã, localizado próximo ao trecho mais estreito do estreito, informou a agência estatal iraniana. A IRNA acrescentou que três pontes foram atingidas no sábado, incluindo uma situada em uma rota para Bandar Abbas.
O Irã reconheceu pela primeira vez, na sexta-feira, "ataques à infraestrutura energética" durante os bombardeios dos EUA, quando seu Ministério da Energia pediu à população que reduzisse o consumo de eletricidade nas províncias do sul, que enfrentam "calor extremo". O governo não informou quais instalações foram atingidas.
Autoridades iranianas disseram que ao menos 50 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas em ataques americanos nas últimas três semanas, incluindo oito mortos em um ataque a uma ponte na sexta-feira.
Disputa pelo controle de Ormuz acirrou conflito
A disputa pelo Estreito de Ormuz se intensificou em uma guerra cada vez mais concentrada no controle dessa via marítima essencial, por onde anteriormente passava um quinto de todo o petróleo bruto transportado no mundo.
Estados Unidos e Irã entraram no sétimo dia consecutivo de ataques mútuos. A escalada ameaça civis e infraestrutura, incluindo usinas de dessalinização que fornecem água potável, e prejudica a economia global.
O Irã fechou efetivamente o estreito ao tráfego marítimo após o início da guerra, desencadeada por ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro. Isso fez o preço do petróleo disparar e deu a Teerã uma importante vantagem nas negociações.
O Irã afirma que o estreito deve ficar sob seu controle exclusivo e que os navios deveriam pagar taxas a Teerã, embora a hidrovia seja considerada há décadas pelo restante do mundo como uma rota internacional.
O Irã tem disparado contra embarcações nos últimos dias, fazendo as travessias pelo estreito caírem ao menor nível três semanas, segundo a agência de notícias Associated Press.
Trump voltou a ameaçar atacar usinas de energia e pontes para tentar obrigar o Irã a ceder. Na última semana, os EUA restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos para interromper as exportações de petróleo bruto do país.
Uma parcela cada vez maior da energia da região está sendo transportada por oleodutos, mas isso ainda está longe de compensar a queda no transporte marítimo.
Antes do início da guerra, os EUA mantinham negociações com o Irã sobre seu programa nuclear. Agora, Trump enfrenta pressão política para encerrar o conflito e evitar um novo envolvimento prolongado no Oriente Médio, exatamente o tipo de guerra contra a qual havia feito campanha.
ra (AP, AFP, dpa)
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