O primeiro debate entre os candidatos ao Senado por São Paulo foi marcado pela nacionalização da disputa, com ataques ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de discussões sobre o fim da escala 6x1 e segurança pública. O encontro foi realizado pela BandNews TV nesta quarta-feira, 9, na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação, na capital paulista.
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Mediado pelo jornalista Marco Antonio Sabino, o debate reuniu André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania).
Apesar de a disputa ser estadual, os primeiros momentos do encontro mostraram que a polarização nacional deve ocupar espaço relevante na campanha, com foco nos candidatos de direita, que utilizaram diferentes momentos para criticar o PT e o governo federal.
Ataques ao PT marcam início do debate
Ricardo Salles foi responsável por abrir a primeira rodada e escolheu André do Prado como adversário. O candidato do Novo questionou a trajetória política de Prado e afirmou que ele teria apoiado nomes do PT, citando as ex-presidentes Dilma Rousseff e o ministro da saúde Alexandre Padilha. Prado rebateu a acusação e afirmou que "sempre esteve contra o PT".
Na resposta, também tentou devolver a crítica a Salles, citando a relação política do adversário com Geraldo Alckmin, atual vice-presidente e ex-governador de São Paulo. "Você me acusa de tudo isso e você também esteve ao lado de Geraldo Alckmin", afirmou Prado.
O PT voltou ao centro do debate em outros momentos. Ao ser questionado por Derrite, Salles também direcionou críticas ao partido e ao governo federal. Derrite aproveitou a oportunidade para mirar Marina Silva e Simone Tebet antes de retomar os ataques ao presidente Lula.
Marina, por sua vez, foi questionada por André do Prado sobre sua relação com o PT e se considerava o partido e Lula corruptos.
A candidata da Rede evitou responder diretamente à provocação e lembrou sua participação em uma frente ampla em defesa da democracia após os ataques às instituições e a tentativa de golpe de Estado. Marina citou ainda o plano conhecido como "Punhal Verde e Amarelo", que previa o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, segundo as investigações da Polícia Federal.
Simone Tebet escolheu Guilherme Derrite para falar sobre propostas para a saúde pública de São Paulo, com foco no diagnóstico e no enfrentamento do câncer. Na resposta, o candidato do PP defendeu que irá "ajudar que iniciativas na saúde pública continuem avançando" e culpou o governo federal por falta de recursos.
Embora Simone Tebet e Marina Silva tenham sido alvo de ataques por posições que, em diferentes momentos, se aproximam do governo federal, e Lula tenha sido associado pelos a supostos esquemas criminosos, as recentes acusações envolvendo Flávio Bolsonaro não entraram no debate. Tebet aproveitou o embate para criticar a seletividade dos ataques: "Os candidatos apontam possíveis esquemas de corrupção de um lado e esquecem que a corrupção está dentro da esquerda, da direita e do centro e precisa ser igualmente combatida".
Fim da escala 6x1
A jornada de trabalho também ganhou espaço entre os candidatos. Marina Silva escolheu Simone Tebet para responder sobre sua posição em relação ao fim da escala 6x1. Tebet afirmou ser favorável à mudança e disse que pretende votar pelo fim do modelo sem redução de salário dos trabalhadores.
Já Ricardo Salles afirmou que não apoia o fim da escala 6x1. "O estado não tem que se imiscuir na relação patrão e empregado".
Segurança pública e STF
A segurança pública esteve entre um dos principais assuntos, especialmente nas falas do Guilherme Derrite. Além disso, a atuação do Supremo Tribunal Federal apareceu entre as discussões. Marina Silva e André do Prado se posicionaram contra possíveis ilegalidades cometidas pelo STF, em um momento de atenção sobre a atuação dos ministros e de crise interna na Corte.
A manifestação ocorre em meio ao embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que nos últimos dias envolveu decisçoes conflitantes e o comando da Polícia Federal.