Lula intensifica agenda de rua na reta final do primeiro turno e faz corpo a corpo em SP

A oito dias do primeiro turno, presidente busca maior aproximação com eleitores em São Miguel Paulista, mira abstenção e tenta dar tração à campanha enquanto reforça ataques a Flávio Bolsonaro

26 set 2026 - 14h15
(atualizado às 14h56)
Resumo
Na reta final antes do primeiro turno, Lula intensificou atos de rua na Zona Leste de São Paulo para conter a abstenção e converter intenções de voto em presença nas urnas, focando em eleitores de baixa renda e idosos. O petista usou a agenda para defender medidas do governo, exaltar conquistas sociais e rebater o adversário Flávio Bolsonaro ao citar o caso do Banco Master. A ação integra uma ofensiva de viagens pelo Sudeste e Nordeste em meio a um cenário de empate técnico nas pesquisas.
Lula intensifica agenda de rua na reta final do primeiro turno e faz corpo a corpo em SP
Lula intensifica agenda de rua na reta final do primeiro turno e faz corpo a corpo em SP
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, neste sábado, 26, levando às ruas uma estratégia desenhada pela campanha para a última semana antes do primeiro turno das eleições: intensificar o corpo a corpo com o eleitorado e transformar apoio em comparecimento às urnas.

Bem-humorado e atento aos detalhes do ato, Lula percorreu o bairro ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva. Durante o percurso, o petista pediu que o carro seguisse mais devagar e cobrou dos seguranças espaço para se aproximar dos apoiadores, numa tentativa de reduzir a distância em relação ao eleitorado.

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Em diferentes momentos, também pediu que aumentassem o volume do microfone, preocupado em ser ouvido por quem acompanhava a passagem. "Avisa ao rapaz do som que aumentar o volume não paga imposto", brincou.

O cuidado se estendeu para a apresentação dos aliados. Lula chamou a atenção do mestre de cerimônias para que fossem anunciados nomes que participavam do ato, entre eles o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). "Precisa citar os nomes deles", disse, em tom de brincadeira.

Os gestos refletem uma mudança de ritmo que integrantes da campanha pretendem aprofundar nos dias que antecedem a votação de 4 de outubro. A avaliação entre aliados ouvidos pelo Estadão é que atos abertos, caminhadas e agendas nas periferias ajudam mais a engajar eleitores que já demonstram disposição de votar em Lula do que eventos fechados.

A estratégia busca dar tração a uma campanha que, na leitura de petistas, teve parte de sua agenda eleitoral ofuscada nas últimas semanas pela crise do Banco Master e pelos episódios envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

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Em outra frente, a campanha também busca usar esses atos para reduzir o risco de abstenção entre segmentos considerados mais suscetíveis a não comparecer às urnas. A preocupação é transformar apoio declarado em presença efetiva no dia da votação, sobretudo entre eleitores de menor renda e idosos, grupos nos quais Lula concentra vantagem nas pesquisas e que historicamente registram maior propensão para abstenção.

Aliados avaliam que essa maior presença nas ruas já começou a mudar o ritmo da campanha. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirma que os atos realizados no Recife, na sexta-feira, 25, e em São Paulo, neste sábado, 26, mostram uma campanha mais conectada com o eleitorado. "Ganhou tração nesta reta final", diz.

O coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, faz avaliação semelhante. Ele afirma que a candidatura conseguiu começar a ditar o ritmo nesta reta final. "É isso que precisamos fazer", diz o advogado, que acompanhou o presidente de perto durante o ato.

Ainda com o carro em movimento, uma das primeiras manifestações de Lula ao microfone indicou quais temas pretende levar às ruas nestes últimos dias antes do primeiro turno. "Essa é a campanha do fim da bet", disse o presidente, numa referência à medida provisória assinada na sexta-feira, 25, que proíbe a atividade das bets no País.

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Com a voz menos rouca, Lula também empunhou mais de uma vez a bandeira do Brasil entre as ruas do bairro, num gesto associado pela campanha ao discurso de defesa da soberania nacional. A voz do presidente é acompanhada com atenção pela equipe. Segundo integrantes da campanha, pesquisas qualitativas indicam que a rouquidão excessiva pode transmitir ao eleitorado uma impressão de irritação.

A estratégia, porém, não se resume a mobilizar quem já demonstra intenção de votar no presidente. Quando o percurso chegou ao centro do bairro e Lula subiu ao trio elétrico, o petista passou a mirar diretamente em Flávio Bolsonaro (PL), buscando associar o adversário às investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Lula voltou a questionar as explicações do senador sobre sua relação com Vorcaro e usou o episódio como contraponto para as críticas feitas pelo adversário no escândalo.

As declarações ocorrem dois dias depois de o Estadão revelar novos registros encontrados pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. O material reúne cerca de três meses de diálogos e menções a seis encontros entre Flávio e Vorcaro, embora os registros não permitam confirmar que todos tenham ocorrido.

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Lula também procurou associar a disputa presidencial aos riscos que, segundo ele, a vitória do adversário representaria para a democracia e a soberania. O presidente voltou a criticar a aproximação do campo bolsonarista com os Estados Unidos, numa tentativa de levar o debate também aos eleitores que ainda não definiram o voto.

Depois de iniciar o discurso de improviso, Lula interrompeu a fala para buscar um papel no qual estavam listados programas e resultados de seu terceiro mandato. Passou, então, a enumerar iniciativas do governo nas áreas social e econômica e contrapôs esse balanço com a gestão de Jair Bolsonaro, afirmando que o antecessor não havia feito o mesmo.

O movimento reuniu duas apostas da campanha nesta reta final: reforçar as realizações do governo entre segmentos já mais inclinados ao petista e comparar as duas gestões numa tentativa de conquistar eleitores ainda indecisos.

A intensificação das agendas de rua ocorre num momento de disputa apertada pela Presidência. No Datafolha divulgado na quinta-feira, 24, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio. No cenário de segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados, com 47% para o petista e 45% para o senador, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

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São Paulo também integra uma ofensiva mais ampla planejada para os últimos dias de campanha. Lula decidiu acelerar as viagens até o primeiro turno, com foco principalmente no Sudeste e no Nordeste e previsão de visitar, em média, um Estado por dia. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre os principais alvos da estratégia no Sudeste.

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