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Lula vai a ato de inauguração em Guarulhos e ouve gritos de professores por melhores salários

Presidente disse que governo é 'democrático' e que um acordo será feito no 'momento correto'; sindicatos apontam intransigência do Ministério da Gestão

25 mai 2024 - 12h41
(atualizado às 13h12)
Lula
Lula
Foto: Reprodução/Twitter

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a enfrentar protestos de professores federais neste sábado, 25, durante a inauguração de obras na rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos (SP). A categoria, que já havia protestado em um evento do presidente em Araraquara (SP) na sexta-feira, está em greve há mais de um mês. A paralisação atinge 58 universidades federais.

Os professores reivindicam reajuste salarial acima do proposto pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. A pasta ofereceu 9% em janeiro de 2025 e 3,5% em maio de 2026. Os docentes, porém, querem reajuste ainda neste ano de 7,06%, e de 5,16% em 2026, enquanto concordam com o índice para o ano que vem.

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"Eu estou vendo alguns companheiros levantando cartaz ali para mim 'estamos de greve'. Que bom que vocês podem vir no comício do Lula e levantar um cartaz dizendo que estão de greve. Que maravilha é garantir o direito democrático das pessoas lutarem, reivindicarem e chegarem a um acordo no momento correto", disse Lula em seu discurso.

Segundo o presidente, "há pouco tempo atrás", os estudantes não podiam se manifestar, os professores não podiam reivindicar e os reitores não podiam reclamar porque o governo de então não estava disposto a negociar. "O nosso governo é democrático e sabe lidar com as diferenças e contradições", afirmou o petista.

O Ministério da Gestão enviou um e-mail aos sindicatos grevistas na qual afirma que já apresentou sua proposta final e que a reunião marcada para a próxima segunda-feira, 27, não servirá para uma nova rodada de negociações. O objetivo da pasta é utilizar a reunião apenas para assinar um acordo com a categoria.

"Para nós, é super intransigente a posição do governo de decretar, de forma unilateral, o esgotamento do processo de negociação", declarou Susana Maia, do Comando Nacional de Greve do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) em coletiva na sexta-feira, 24.

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"O Alencar me telefonava sempre, 'presidente, o senhor tem que ir a Guarulhos para inaugurar esse trevo'. O que é importante nesse trevo é que ninguém vai ficar mais duas horas no trânsito para chegar em casa", disse Lula.

Santana, por outro lado, adotou tom eleitoral e reforçou a proximidade com o governo federal ao discursar. "A cidade de Guarulhos é a segunda (maior) cidade do Estado de São Paulo, a 13ª cidade do país. Por mais que São Paulo seja grande, nós não seremos mais o quintal da capital. Nós seremos a cidade que é tratada de acordo com seu tamanho, e o presidente Lula será o parceiro que ajudará Guarulhos a ter muito mais. Nós queremos muito mais", discursou o deputado.

Ausência de Tarcísio

Lula estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ministros dos Transportes, Renan Filho (MDB), de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT).

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi a ausência mais notável, mesmo não tendo nenhum compromisso oficial neste sábado. Como mostrou a Coluna do Estadão, ele recusou convite do governo Lula para dividir o palanque com o presidente nas agendas em São Paulo ao longo do fim de semana.

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O movimento acontece meses depois de uma "bandeira branca" ser estendida na relação entre ambos. Em fevereiro, durante cerimônia em comemoração aos 132 anos do Porto de Santos e anúncio de investimentos no Túnel Submerso Santos-Guarujá, Lula disse não poder "querer dar um golpe" em São Paulo, diante dos atritos com o governador, e afirmou que Tarcísio terá da Presidência da República "tudo aquilo que for necessário".

Tarcísio foi eleito com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem foi ministro, e apoia a reeleição do atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Lula e o PT apoiam Boulos.

Lula volta a prometer arroz mais barato com importação

O presidente também voltou a dizer que o governo federal vai importar arroz para reduzir o preço do produto. A medida ocorre em meio às enchentes no Rio Grande do Sul, Estado responsável por cerca de 70% da produção nacional.

"Essa semana eu fiquei meio nervoso porque vi o preço do arroz no supermercado. O pacote de cinco quilos a R$ 36, R$ 33?, disse Lula, afirmando que se reuniu em seguida com os ministros Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, e Carlos Fávaro, da Agricultura.

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"E nós decidimos: arroz e feijão é uma coisa que nós brasileiros não queremos e não sabemos abrir mão. Por isso eles têm que estar num preço que o povo mais humilde e trabalhador possa comprar. Tomamos a decisão de importar um milhão de toneladas de arroz para que a gente possa equilibrar o preço nesse país", declarou o chefe do Executivo. O governo federal zerou no início da semana a tarifa de importação de três tipos de arroz.

Compromissos em São Paulo

Na sexta-feira, Lula assinou ordem de serviço para obras de drenagem e reurbanização em Araraquara, cidade governada por Edinho Silva (PT). No ano passado, o presidente estava na cidade, à época atingida por fortes chuvas, quando golpistas invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) no 8 de Janeiro em Brasília.

O presidente também foi a Guariba (SP) para participar da cerimônia de inauguração da planta de etanol de segunda geração da Raízen. A cana-de-açúcar, uma das matérias-primas mais utilizadas para produzir o combustível, foi citada por Lula em seu discurso.

"Vou visitar um monte de bagaço (de cana), que antes era jogado fora. Um pouquinho daquele bagaço era utilizado para misturar na ração animal. Nem sei se a vaca gostava daquilo, mas eu sei que misturava. Eu não pus boca, não sei se é bom. Se tiver um gostinho de álcool, até que é bom", disse o chefe do Executivo federal.

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