Executivo: Sem acordos, haverá demissão em massa em maio

Presidente de empresa de autopeças na América Latina diz que alguns sindicatos 'não estão sensíveis ao momento' e impõem condições

14 abr 2020 - 07h10
(atualizado às 08h04)

Com 8,5 mil funcionários nas fábricas do País, o presidente da Bosch na América Latina, Besaliel Botelho, teme a resistência de alguns sindicatos de trabalhadores nas negociações para suspensão de contratos ou redução de jornada e salários, conforme prevê a MP 936.

29/03/2019
REUTERS/Amanda Perobelli
29/03/2019 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

"Se não resolvermos a questão nesta semana, prazo para podermos fazer planejamentos para o próximo mês, vai ocorrer demissão em massa no setor de autopeças em maio", diz.

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A Bosch iniciou na segunda negociações, mas já encontra algumas dificuldades, afirma o executivo, sem dar detalhes. O mesmo ocorre em outras empresas do setor de autopeças, que emprega cerca de 248 mil pessoas.

"A MP é a única ferramenta que temos para segurar empregos e manter um nível mínimo de atividade produtiva em nossas empresas", diz Botelho. "Há sindicalistas que não estão sensíveis ao momento - que é de pandemia e não de questões de mercado - e agem como se fosse uma negociação de data-base, impondo condições que não cabem numa situação em que as empresas estão sem faturar."

Cientes de que a retomada de atividades não deve ocorrer antes de maio, várias empresas, incluindo montadoras, negociam acordos com corte de salários de 5% a 25%, dependendo da faixa salarial. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, lembra que a opção de férias coletivas, adotada até agora, se esgotou, e novos acordos são necessários.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo criou um app para agilizar negociações. "Entendemos as dificuldades e já temos alguns acordos", diz Miguel Torres, presidente da entidade que representa trabalhadores de 11,5 mil empresas, das quais 9,5 mil têm até 30 funcionários. "Se ocorrerem negociações individuais vamos fiscalizar para corrigir injustiças." Segundo ele, não há cobrança pelas negociações.

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