Em meio a tensões e restrições de deslocamento, equipe deixou mensagem escrita à mão após empate contra a Bélgica na qual agradece pela hospitalidade e pede paz, respeito e amizade.Os jogadores do Irã deixaram um bilhete escrito à mão no vestiário após o empate sem gols contra a Bélgica, no domingo (21/06), agradecendo a Los Angeles por sua "hospitalidade", apesar das difíceis condições enfrentadas pela equipe em sua campanha na Copa do Mundo de 2026.
Em meio ao conflito no Oriente Médio, o Irã enfrentou restrições sem precedentes para disputar suas duas primeiras partidas do Grupo G em Inglewood, nas proximidades de Los Angeles. Foi obrigado a viajar de sua base no México para os Estados Unidos menos de um dia antes do início dos jogos e a retornar imediatamente após as partidas.
Após o empate inicial em 2 a 2 com a Nova Zelândia, o técnico Amir Ghalenoei afirmou que o Irã era a equipe "mais oprimida" do Mundial.
Na entrevista coletiva após a partida de domingo, acrescentou que a guerra e as restrições de visto fizeram com que o time "chegasse a este Mundial nas piores condições imagináveis".
Irã tem chance de se classificar para o mata-mata
Ainda assim, o Irã tem apresentado bom desempenho no torneio até agora e encara sua última partida contra o Egito, no sábado, em Seattle, com a possibilidade de se classificar para a fase eliminatória pela primeira vez.
"Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável", diz a mensagem deixada pelos jogadores iranianos no vestiário, escrita em inglês.
"Viemos a Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade", prossegue a carta. "Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade. E obrigado a cada iraniano que entregou seu coração, sua voz e sua alma pelo Irã ao longo desses 180 minutos."
A nota também faz referência ao ataque contra uma escola em Minab no primeiro dia da guerra com os Estados Unidos, no qual, segundo relatos, morreram 168 meninas.
"Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações", conclui a mensagem.
Antes disso, foram ouvidas vaias durante o hino nacional do Irã, vindas de setores do estádio normalmente utilizados pelos times da NFL Los Angeles Rams e Chargers.
O sul da Califórnia abriga a maior diáspora iraniana do mundo; muitas dessas pessoas se opõem ao governo da República Islâmica, que reprimiu duramente manifestantes contra o governo no início deste ano.
No estádio, voltou a aparecer a antiga bandeira iraniana — utilizada antes da revolução islâmica de 1979 —, assim como uma faixa que pedia um "Irã livre".
Autoridades iranianas haviam afirmado que a equipe deixaria o campo em situações desse tipo, mas, assim como na primeira partida, os jogadores seguiram concentrados na partida.
sf/ra (dpa, DW)