Vorcaro pagou degustação de whisky em Londres com Moraes, Gonet, Toffoli e diretor-geral da PF

Dono do Master gastou cerca de R$ 3,3 milhões para o evento paralelo a um fórum jurídico que financiou em abril de 2024

10 mar 2026 - 11h56
(atualizado às 13h55)

BRASÍLIA - O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagou uma degustação de whisky em Londres, para autoridades de Brasília quando ele financiou um fórum jurídico na capital britânica, em abril de 2024.

Entre os participantes do convescote, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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A informação foi publicada pelo site Poder360, que cruzou duas informações. A dos dados do celular de Daniel Vorcaro recuperados pela PF e enviados à CPI do INSS e dos registros obtidos na sessão secreta realizada pelo STF em 12 de fevereiro para tratar do afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master.

Segundo o Poder360, cerca de 40 pessoas estiveram na degustação de Whisky. O site listou as seguintes:

Alexandre de Moraes, ministro do STF; Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF; Benedito Gonçalves, ministro do STJ; Daniel Vorcaro, dono do Master; Ciro Soares; advogado de Vorcaro; Dias Toffoli, ministro do STF; Hugo Motta, presidente da Câmara; Paulo Gonet, procurador-geral da República; Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça.

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao deixar o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos (SP), após a primeira prisão, em novembro de 2025
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao deixar o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos (SP), após a primeira prisão, em novembro de 2025
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

No conjunto de dados do celular de Vorcaro há emails com relatórios de custos do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento organizado pelo Grupo Voto, entre 23 e 27 de abril de 2024, com o financiamento do Banco Master

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A anotação aponta a contratação de um "serviço de degustação Macallan no George Club". Trata-se de um prestigiado whisky escocês que na internet aparece vendido com preços que variam entre R$ 800 e R$ 5 mil, a depender da versão da bebida.

O custo da degustação está registrado por US$ 640.831,88. Convertendo com base no valor do dólar da época, o montante equivale a R$ 3,3 milhões.

Os emails não fazem referência aos participantes da degustação. O site Poder360 afirmou que o próprio ministro Alexandre de Moraes fez uma citação ao evento durante a sessão secreta do STF.

"Nesse encontro [em Londres], vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan [o whisky escocês]", disse.

O site já havia publicado transcrições literais das afirmações feitas por ministros durante a reunião do dia 12 de fevereiro que resultou no afastamento de Toffoli do caso.

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O fórum jurídico teve uma série de empresários e autoridades na lista de palestrantes e na plateia.

Entre os debatedores, o ex-presidente Michel Temer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) como Luis Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro.

Moraes, Toffoli e Andrei Rodrigues também participaram como debatedores, além do ministro Gilmar Mendes, do STF. O evento contou ainda com o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Ao definir a lista de convidados para a plateia do fórum, Daniel Vorcaro consultou Alexandre de Moraes. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse "bloqueado" do evento, e Vorcaro levou a determinação à organização do fórum.

O veto aparece em uma das trocas de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em conversa com o jornalista Márcio Chaer, diretor do portal de notícias jurídicas (ConJur), o banqueiro recebe uma lista de possíveis convidados e responde, em uma sequência de três mensagens:

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"Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais. Entendo que aprovou. Ainda assim, reperguntei. Possível que ele não queira explicitar a concordância. Mas concordo ao afastar um só nome", disse Vorcaro ao jornalista, que mediou as mesas de debates.

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