TSE nega registro a Deltan Dallagnol, que fica impedido de concorrer ao Senado a 12 horas da eleição

Ex-procurador da República já tinha sido considerado inelegível em 2023; Deltan pede que eleitor continue votando nele e critica ministro que deu a decisão

3 out 2026 - 20h43
(atualizado às 21h31)
Resumo
A 12 horas da eleição, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, negou o registro de candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná, tornando seus votos nulos. O ministro considerou que a exoneração do ex-procurador do MPF em 2021 foi uma manobra para escapar de processos disciplinares e evitar a inelegibilidade. Deltan, bem posicionado nas pesquisas, criticou a decisão como ilegal, acusou favorecimento à petista Gleisi Hoffmann e pediu para seus apoiadores manterem o voto na urna.

BRASÍLIA - O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou neste sábado, 3, o registro de candidatura de Deltan Dallagnol. Com a decisão a 12 horas da eleição, ele está impedido de concorrer ao Senado pelo Paraná e os votos para o ex-procurador passam a ser considerados nulos.

Deltan, no entanto, segue pedindo aos eleitores para votarem nele. "Não desista. Meu nome está na urna. O que eles querem é eleger a Gleisi", disse Deltan. Ele ainda disse que o ministro Floriano é um indicado do PT, amigo de Alexandre de Moraes e sua decissão ilegal.

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O ministro entendeu que Deltan pediu exoneração do Ministério Público Federal em novembro de 2021 como manobra para evitar a inelegibilidade. Isso porque integrantes da carreira que são condenados em processo disciplinar não podem se candidatar às eleições.

"A inelegibilidade decorreu do comportamento fraudulento do ora requerido em face do risco disciplinar então existente, e não propriamente do resultado dos procedimentos disciplinares, os quais restaram frustrados exatamente pela manobra levada a cabo", escreveu o ministro.

O TSE já havia adotado essa interpretação em 2023. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná discordou e liberou a candidatura de Deltan. Agora, a decisão foi reformada. O caso ainda deverá ser apreciado pelo plenário do TSE.

Segundo o TRE, a conclusão do TSE não poderia mais ser adotada porque foram arquivados os procedimentos disciplinares contra Deltan. Floriano Marques ponderou que, para aferir a elegibilidade de um candidato, é preciso examinar a situação no momento da exoneração.

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Segundo pesquisa da Quaest, Deltan estava entre os primeiros colocados na disputa pelas duas vagas para o Senado no Paraná. Filipe Barros (PL) tem 25%, Alexandre Curi (Republicanos), 21%, Deltan Dallagnol, 21%. A ex-ministra e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann aparece em quarto com 15%.

Já o instituto Atlas aponta que Deltan é o que tem maior porcentual de votos na pesquisa. Sua saída poderia, assim, beneficiar a petista Gleisi.

Atlas - Votos válidos para o Senado

  • Dr. Rosinha (PT): 15,1%
  • Alexandre Curi (Republicanos): 8,5%
  • Cristina Graeml (PSD): 3,7%
  • Karen Guerreiro (Missão): 2,9%
  • Outros: 2%
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