O ex-presidente da Câmara de São Paulo Milton Leite é alvo de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no transporte público da capital. Figura influente por quase três décadas no Legislativo paulistano, Leite já havia sido ligado a investigações sobre a empresa Transwolff e policiais que atuavam na segurança da companhia. Em viagem, o ex-vereador declarou que não está foragido, que se apresentará à Justiça em até 24 horas e que provará sua inocência.
O ex-vereador Milton Leite, de 67 anos, é um dos alvos do pedido de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Por meio de comunicado, Leite disse que está viajando, mas irá se apresentar às autoridades em até 24 horas. "Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações."
Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.
Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
A trajetória política de Leite começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha. Foi eleito vereador pela primeira vez em 1996, para assumir o mandato no ano seguinte, e conseguiu seis reeleições consecutivas, permanecendo na Casa até 2024.
Na presidência da Câmara, comandou o Legislativo em 2017 e 2018 e novamente de 2021 a 2024. Nesse período, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em diferentes ocasiões. Ao deixar o cargo de vereador, passou a atuar nos bastidores da política municipal e estadual. Para as eleições de 2026, o ex-vereador tem apoiado a atuação política da família. Alexandre Leite e Milton Leite Filho, buscam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, respectivamente.
O nome de Leite já havia aparecido em apurações relacionadas à Transwolff, empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.
Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar apontou possíveis conexões entre Leite e policiais presos por atuar na segurança de dirigentes da Transwolff. Uma mensagem enviada pelo sargento da reserva Nereu Aparecido Alves a um diretor da empresa fazia referência ao ex-vereador como "chefe Milton". A investigação também citou possíveis relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a companhia.
Leite negou conhecer Nereu e afirmou que o policial nunca fez parte de sua escolta. A Câmara Municipal afirmou que o capitão Alexandre Paulino Vieira, citado nas investigações como responsável por organizar a segurança dos empresários, havia trabalhado na Assessoria Policial Militar da Casa durante gestões de diferentes presidentes.
Em agosto, o Ministério Público denunciou quatro policiais militares sob acusação de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança de dirigentes, familiares e instalações da Transwolff. Segundo a denúncia, Alexandre Paulino Vieira era o principal elo do grupo. O documento não apontou a participação de Leite no esquema.
Posicionamento da Prefeitura de São Paulo
Conforme a gestão Nunes, a intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. "Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada", disse por meio de nota.
A Prefeitura reforça ainda que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
"A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários", disse a Prefeitura de São Paulo.