Queiroga diz que fala de Bolsonaro visa instigar pesquisas

Presidente demonstrou interesse em desobrigar o uso de máscaras; apesar de defendê-lo, o ministro da Saúde reforçou a importância do uso

11 jun 2021 - 07h33

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, minimizou o pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro - em meio ao atual recrudescimento da pandemia - para que seja produzido um parecer avaliando a possibilidade de flexibilização do uso de máscaras no País. Segundo Queiroga, a fala de Bolsonaro visa "instigar" pesquisadores brasileiros.

Ministro de Estado da Saúde, Marcelo Queiroga, durante depoimento na CPI da Covid
Ministro de Estado da Saúde, Marcelo Queiroga, durante depoimento na CPI da Covid
Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

"O presidente quer estimular a pesquisa em todas áreas. Quando o presidente, de maneira muito eficiente, chama a atenção para esse ponto das máscaras, o que ele está querendo é atrair atenção da sociedade para que se instigue o espírito de investigação de nossos pesquisadores", declarou o ministro em entrevista ao programa Agora com Lacombe, da RedeTV!. Ele reforçou, contudo, que a utilização de máscaras ainda é importante neste momento. Só ontem, o Brasil registrou 2.344 novas mortes pela covid-19 e ultrapassou a marca dos 480 mil óbitos pela doença.

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Mais cedo, Queiroga confirmou que atenderá a demanda do presidente pelo estudo. Ontem, Bolsonaro disse que pediu ao ministério um parecer desobrigando o uso do equipamento de proteção por pessoas já vacinadas ou que já tenham se contaminado pela covid-19. A ideia foi duramente criticada por especialistas, já que a imunização, apesar de anular a manifestação grave do coronavírus, não impede a sua transmissão, ainda em patamar elevado no País. Além disso, apenas 11,06% da população brasileira recebeu a segunda dose da vacina, e já há casos comprovados de reeinfecção.

Durante a entrevista à RedeTV!, Queiroga chamou Bolsonaro de "excelente comunicador" e garantiu que o líder do Palácio do Planalto está "animado" com a campanha de vacinação contra a covid-19. Nesta semana, porém, o presidente voltou a questionar a eficácia dos imunizantes.

A utilização de máscaras foi flexibilizada em países como os Estados Unidos, onde a vacinação está avançada, diferentemente do Brasil. O país já ultrapassa os 50% de vacinados com a primeira dose, o que permitiu ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) afrouxar as medidas de controle da pandemia.

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