Apesar de alertada por entidades sobre o risco de desabastecimento de transporte no 2º turno, a Prefeitura de São Paulo manteve uma frota reduzida, gerando queixas de eleitores e contribuindo para a prorrogação da votação até as 19h no país. O prefeito Ricardo Nunes negou falhas, alegando que a oferta de lugares superava a demanda e citou dificuldades logísticas para cumprir a ordem judicial de operar com 100% da frota, enquanto especialistas apontam descumprimento de regras do STF e TSE.
A Prefeitura de São Paulo foi alertada antes do segundo turno das eleições, realizado neste domingo, 25, sobre o risco de oferta insuficiente de ônibus para atender aos eleitores. O Instituto Pólis e conselheiros do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT) defenderam uma operação compatível com a dos dias úteis.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) nega falhas. "Nossa frota que está operando é maior do que a demanda. Não temos nenhum registro de falta de ônibus", disse o prefeito, que chamou os petistas de "irresponsáveis".
Em nota, o poder municipal afirmou ainda que houve dificuldades logísticas de mobilizar as equipes rapidamente, diante da determinação judicial no sábado, 24, de oferecer 100% dos ônibus.
Moradores de várias regiões de São Paulo relataram dificuldades para pegar ônibus e ir até os locais de votação neste domingo, 25, quando é realizado o 2º turno das eleições. Problemas na oferta de transporte público na capital paulista e em outras cidades motivaram a extensão do prazo de votação até 19 horas no País todo, em decisão inédita da Justiça.
Em ofício enviado na sexta-feira, 23, ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e à SPTrans, documento a que o Estadão teve acesso, o Instituto Pólis argumentou que a programação prevista para a eleição seguia o modelo de sábado e não o de dias úteis.
Para a entidade, a decisão contrariava o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) e as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"O cálculo da mobilidade precisa sempre vir antes e ser maior do que a demanda, muito maior, principalmente em dias de eleição", disse. Ele acrescentou que uma oferta mais ampla, acompanhada de comunicação clara aos usuários, poderia estimular a participação dos eleitores.
A Prefeitura manifestou entendimento diferente. Em resposta ao ofício, a Diretoria de Planejamento de Transporte da Prefeitura afirmou que a legislação eleitoral foi cumprida com o acréscimo de 2 mil ônibus nos domingos de votação. A gestão citou tanto o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quanto a operação prevista para o segundo.
O poder municipal informou ainda que o número de lugares disponibilizados para o primeiro e o segundo turnos foi de 8 milhões de lugares em cada uma das duas etapas. A SPTrans registrou, no primeiro turno, 3,4 milhões de passageiros, portanto, 57,5% a menos de passageiros em relação ao que havia de lugares à disposição da população.