Os eleitos/Deltan Dallagnol sobre STF: 'Brasil não tem rei, tem lei'

Senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol afirma que pretende defender o impeachment de Moraes e classifica como 'violência jurídica' as decisões do TSE contra sua candidatura, que ainda será analisada pelo plenário da Corte

6 out 2026 - 20h54
(atualizado às 21h16)
Resumo
Eleito senador pelo Paraná com 2,9 milhões de votos para assumir em 2027, Deltan Dallagnol (Novo) terá como prioridade conter supostos abusos do Judiciário e defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Contudo, sua posse ainda depende de validação do plenário do TSE, já que sua candidatura foi indeferida devido à cassação de seu mandato em 2023 pela Lei da Ficha Limpa, tendo concorrido amparado por uma liminar que liberou a contagem de seus votos.

Eleito senador pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) afirma que pretende defender no Senado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e diz que sua atuação terá como uma das prioridades conter o que classifica como abusos do Judiciário. "A missão da minha vida foi fazer a lei valer igualmente para todos, inclusive para quem veste toga. O Brasil não tem rei, tem lei", diz em entrevista ao Estadão.

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A declaração ocorre após uma eleição que ampliou no Senado a presença de parlamentares críticos à atuação do Supremo. Deltan foi eleito para uma das duas vagas do Paraná, ao lado de Filipe Barros (PL), com cerca de 2,9 milhões de votos. Os dois assumem o mandato em fevereiro de 2027.

Ao tratar diretamente sobre o STF, o ex-procurador da Lava Jato afirmou que integrantes do Supremo deveriam ser os primeiros a preservar a confiança no Judiciário. "Parte deles hoje nos faz passar vergonha", diz.

Apesar do resultado das urnas, a situação eleitoral de Deltan ainda depende de uma decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Às vésperas da votação, o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu sua candidatura. No domingo, 4, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e permitiu que seus votos fossem contabilizados. O mérito ainda deverá ser analisado pelo plenário da Corte.

A controvérsia tem origem na cassação do mandato de deputado federal de Deltan, determinada pelo TSE em 2023. Na ocasião, a Corte entendeu por unanimidade que ele havia deixado o Ministério Público Federal enquanto estavam pendentes procedimentos disciplinares, em situação alcançada pela Lei da Ficha Limpa.

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Apesar do imbróglio, Deltan diz acreditar que o TSE confirmará sua candidatura. "A minha candidatura vai ser validada", afirma.

A disputa, porém, já teve efeitos concretos sobre sua campanha. Durante a corrida eleitoral deste ano, o TSE chegou a suspender atos de Deltan, impedindo-o de pedir votos, participar de debates e veicular propaganda na reta final da disputa.

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