'Não é preciso alterar o tom para ser ouvido', diz Nunes Marques após julgamento do STF

Fala do ministro ocorre em primeira manifestação pública após sessão conturbada do STF

17 set 2026 - 22h12
Resumo
Após tensa sessão no STF sobre investigar Alexandre de Moraes, marcada por atritos prévios com Gilmar Mendes, o ministro Nunes Marques defendeu no TSE que delicadeza tem força e não exige alterar o tom. Impedido de votar no caso Moraes devido à presidência do TSE, ele negou ligação com o banco Master após revelações sobre seu filho. O julgamento do STF foi adiado por pedido de vista de Flávio Dino, com placar parcial de 4 a 3 favorável à separação do caso em relação ao de André Mendonça.

Na sua primeira manifestação pública após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na última terça-feira,15, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que "não é preciso alterar o tom para ser ouvido. A delicadeza e a gentileza também têm força."

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A declaração do membro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi dada durante a abertura da sessão do TSE ocorrida na manhã de hoje, 17.

A fala ocorreu no contexto da despedida do ministro Antônio Carlos Ferreira, do Superior Tribunal de Justiça, que participava da sua última sessão na Corte Eleitoral. "A música popular brasileira, especialmente a bossa nova, nos ensina que elegância é avessa ao excesso", anunciou Nunes Marques em referência ao colega.

A fala de Nunes Marques ocorre em sua primeira manifestação pública após a sessão de julgamento para abertura de investigação contra o também ministro do STF Alexandre de Moraes.

A sessão foi marcada por tensão, discussão e troca de ofensas entre os ministros.

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O conflito entre os ministros, entretanto, começou antes do julgamento de terça-feira. O Estadão teve acesso a uma série de mensagens enviadas por Gilmar Mendes a Nunes Marques e ao ministro Luiz Fux. "Assumam que estão ferrados e saiam dos processos", escreveu o decano a Nunes Marques.

Mendes também usou termos como "servis" e "submissos" para se referir a Fux e Nunes Marques.

Antes do início do julgamento, Nunes Marques se declarou impedido de participar em razão do seu mandato como presidente do TSE e da potencial repercussão eleitoral da decisão da sessão.

Horas antes, mensagens divulgadas indicavam contato entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.

Antes de se declarar impedido, o ministro falou sobre as mensagens. "Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo já foi quebrado", disse.

A sessão para julgamento de Moraes reservou-se a votação sobre uma questão de ordem: a união do processo com o do ministro André Mendonça. No entanto, não houve decisão definitiva e o julgamento foi adiado por até 90 dias, em razão de pedido de vistas feito pelo ministro Flávio Dino. O placar preliminar é de 4x3 pela separação dos processo.

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