Michelle Bolsonaro faltou a um ato de campanha em Brasília para cuidar do marido, que cumpre prisão domiciliar. Após Damares Alves relatar que o ex-presidente havia passado mal, Michelle esclareceu que ele apenas vive dias difíceis, marcados por oscilações e ansiedade na reta final eleitoral, pedindo orações de pastores. Paralelamente, um relatório médico indicou que Jair Bolsonaro apresenta quadro clínico estável, com pressão controlada, mas sob alerta para riscos de queda e sonolência diurna.
Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, não participou presencialmente de um evento de campanha nesta sexta-feira, 2, em Brasília. Segundo a senadora Damares Alves (PL-DF), a ausência ocorreu porque o ex-presidente Jair Bolsonaro passou mal enquanto permanecia em casa, onde cumpre prisão por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.
Após a declaração de Damares, Michelle afirmou que Bolsonaro não teve exatamente um mal-estar, mas vem enfrentando "dias mais difíceis". Segundo a ex-primeira-dama, ele apresentou um quadro de ansiedade e tem passado por oscilações. "Não é que ele passou mal, ele tem tido dias mais difíceis", afirmou.
A ex-primeira-dama também falou sobre a rotina de cuidados com o marido e sobre as dificuldades de conciliar essa tarefa com a campanha eleitoral. Segundo Michelle, Bolsonaro tem apresentado oscilações relacionadas à ansiedade.
"Estou presa com meu marido, todo mundo sabe, tenho horário pra sair e horário para voltar. Não é fácil ter que associar também uma campanha com os cuidados de casa e estar ali também dando todo apoio para ele, que está ansioso, oscila bastante", disse.
Michelle afirmou ainda que a reta final da campanha tem contribuído para o aumento da ansiedade e contou que, naquele momento, havia pedido orações a líderes religiosos e pastores.
"Hoje saiu uma matéria da Damares, foi o momento que a gente pediu oração para os nossos líderes e nossos pastores, porque essa reta final também tem causado uma ansiedade e então ele oscila. Não é que ele passou mal, ele tem tido dias mais difíceis", afirmou.
Damares afirmou que Michelle participou do encontro por meio de uma transmissão de vídeo. Segundo a senadora, a ex-primeira-dama aparentava estar abatida durante a participação virtual. "Hoje, à uma da tarde, nós tínhamos um evento aqui em Brasília com a Michelle, os últimos eventos de campanha. A Michelle não conseguiu ir porque o presidente Bolsonaro não passou bem", declarou Damares.
Na sequência, a senadora fez críticas à situação judicial do ex-presidente e atribuiu a Bolsonaro a condição de vítima de perseguição política. Damares também afirmou que Michelle teria um papel fundamental nos cuidados prestados ao marido.
"O ministro Alexandre de Moraes prendeu ao mesmo tempo o Bolsonaro e prendeu a Michelle, pois ele não tem direito a um cuidador. A Michelle é a carcereira do Bolsonaro", disse. Damares também afirmou que uma eventual derrota eleitoral poderia levar Bolsonaro a morrer na prisão.
Relatório médico aponta estabilidade
A declaração da senadora ocorre no mesmo dia em que foi divulgado um relatório semanal sobre o estado de saúde de Bolsonaro. O documento informa que o ex-presidente, de 71 anos, permanece sob acompanhamento médico domiciliar e apresenta quadro clínico estável.
Segundo o relatório, houve redução significativa na frequência e na intensidade dos episódios de soluços após um ajuste recente na medicação. A pressão arterial está controlada, enquanto a avaliação cardíaca é descrita como normal.
O documento registra ainda uma alteração residual na base do pulmão esquerdo. Apesar disso, os médicos afirmam que Bolsonaro mantém estabilidade hemodinâmica e cardiorrespiratória.
O relatório também aponta a permanência de efeitos secundários associados a medicamentos de ação central, entre eles instabilidade crônica no equilíbrio corporal e sonolência durante o dia. Por esse motivo, são recomendados cuidados preventivos para diminuir o risco de quedas.
A orientação médica inclui ainda a manutenção de atividades físicas voltadas ao fortalecimento muscular. Bolsonaro mantém, segundo o documento, uma dieta com baixo teor de acidez e de sódio, além de cuidados para reduzir riscos relacionados ao refluxo gastroesofágico.