Flávio Bolsonaro voltou dos EUA ao Brasil no mesmo jato de Vorcaro usado por Moraes, diz revista

Senador, que criticou ministro do STF após vídeo desembarcando de avião de banqueiro, usou a aeronave em 19 de janeiro de 2025; candidato diz que avião era de amigo advogado

24 set 2026 - 09h03
(atualizado às 10h40)
Resumo
O senador Flávio Bolsonaro viajou dos EUA a Brasília, em janeiro de 2025, no mesmo jato compartilhado pelo banqueiro Daniel Vorcaro que foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes. Flávio, que já havia criticado publicamente Moraes pelo episódio, alegou que a aeronave pertencia ao seu amigo e advogado Willer Tomaz. O avião era operado em regime de cotas, tendo Vorcaro e Tomaz entre os sócios, o que gerou contradições em relação aos ataques políticos feitos pelo parlamentar contra o STF.

BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, viajou da Flórida a Brasília, em 19 de janeiro de 2025, em um avião que tinha entre os cotistas o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. O jato é o mesmo usado em outra viagem pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a revista piauí.

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O senador se manifestou nas redes sociais dizendo que o avião que utilizou era de seu amigo, o advogado Willer Tomaz, e ignorou a relação do jato com Vorcaro (leia mais abaixo).

A aeronave é um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. O jornal O Globo publicou um vídeo que mostrou o ministro desembarcando do avião após voar para o Rio de Janeiro em agosto de 2025.

Flávio compartilhou a filmagem nas redes sociais para criticar o ministro. "Alexandre de Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime. Ele sentou na cadeira, aparelhou o Estado inteiro e a sua máfia implodiu a democracia sob o falso pretexto de protegê-la", publicou.

O candidato Flávio Bolsonaro em ato na Avenida Paulista, em 7 de setembro
O candidato Flávio Bolsonaro em ato na Avenida Paulista, em 7 de setembro
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Flávio Bolsonaro viajou acompanhado por familiares e pelo advogado Willer Tomaz, de quem é amigo. Tomaz é investigado por suspeitas de ligação com fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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A viagem de Flávio e Willer, realizada em janeiro do ano passou foi revelada pelo jornal O Globo na semana passada. Nesta quarta-feira, 23, a piauí mostrou que se tratava do mesmo avião usado por Moraes e que levou o senador a criticar a relação do ministro com Vorcaro.

A revista diz ter cruzado históricos de tráfego aéreo com dados de pousos e decolagens em Brasília.

A aeronave era operada pela empresa Prime You, uma das três detentoras da Fraction 024, dona formal do avião. A Prime entrou na sociedade em 2024, meses antes da viagem de Flávio. A Prime diz que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios entre 2021 e setembro de 2025. Os outros dois sócios do avião eram Willer Tomaz e Laércio Cosentino, fundador da TOTVS.

Em nota à revista, Willer Tomaz disse que cabia à Prime You administrar o avião e organizar a utilização e que só este ano tomou conhecimento de que Vorcaro também tinha comprado uma cota do avião. Depois disso, rompeu o contrato. Tomaz também nega ter feito negócios com Vorcaro.

Após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro escreveu nas redes sociais: "Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes".

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A manifesta do senador ignora a relação da aeronave com Vorcaro e faz referência a um contrato de R$ 50 milhões entre Vorcaro e Viviane Barci, esposa de Alexandre de MOraes, que seria pago por meio da transferência de cotas de duas aeronaves do banqueiro. O contrato foi feito em maio de 2025. Segundo o escritório de Barci, proposta foi extinta com a liquidação do Banco Master.

Flávio tem histórico de outras viagens com aviões de empresários, como mostrou o Estadão. Em 1º de abril de 2025, o senador viajou para o Rio de Janeiro com a esposa e duas filhas em aeronaves de Willer Tomaz. Em 30 de abril daquele ano, embarcou para a Flórida em um avião registrado em nome de uma empresa dos donos da União Química, laboratório químico-farmacêutico sediado em São Paulo.

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