BRASÍLIA - O senador e pré-candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), informou que se inscreveu para participar de uma audiência pública promovida pelo governo dos Estados Unidos para "defender o Brasil" da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O governo Lula não enviará representante (veja abaixo).
A assessoria de Flávio divulgou nesta terça-feira, 23, um requerimento oficial de inscrição feito pelo senador ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para um depoimento oral em inglês e pessoalmente como testemunha, por cinco minutos.
No documento, ele se identifica como senador da oposição e pré-candidato à presidência da República e diz ter se encontrado pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com outras autoridades americanas.
Ele afirma no documento que pedirá a suspensão da proposta de tarifa e solicita a abertura de uma negociação bilateral. Ele também afirma que a ação beneficiaria o próprio governo brasileiro e recairia sobre os exportadores brasileiros, os importadores americanos, os consumidores americanos e a oposição brasileira.
Na rede social X, o parlamentar também confirmou o pedido. "Vou defender os interesses do povo brasileiro! Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula", escreveu o pré-candidato.
Flávio acrescentou: "Como era de se esperar, Lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras".
A audiência pública será realizada em 6 de julho pelo USTR. Terminou na segunda-feira, 22, o prazo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, com resumo do depoimento. O prazo para a definição das medidas termina em 15 de julho.
Governo brasileiro não enviará representante
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai enviar representantes do corpo diplomático e comercial para a audiência. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o governo entende que o encontro será feito para ouvir entidades que seriam afetadas pelas novas tarifas, como organizações e empresas.
Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a atuação do governo está sendo feita no grupo de trabalho que discute a situação tarifária entre os Estados Unidos e o Brasil, criada após a reunião entre Lula e o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, no dia 7 de maio.
O governo espera participar de duas novas reuniões do grupo de trabalho até o dia 15 de julho, prazo limite em que os Estados Unidos devem tomar a decisão final sobre a adoção de novas tarifas. Da parte do Brasil, a equipe é liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Já do lado americano, quem encabeça é o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo fontes, houve uma reunião há cerca de 10 dias sobre o tema entre Greer, Márcio Rosa e o embaixador Mauricio Lyrio.
Dentro do governo, a avaliação é a de que os negociadores brasileiros estão "fazendo muito" há um ano e já reverteram parte do problema, considerado um desastre provocado pela família Bolsonaro. Fontes lembraram que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi, inclusive, condenado por coação no curso do processo e que a "artimanha" de participar desse evento não passa de "um factóide que não para em pé" e que "não precisa nem de VAR", numa referência ao árbitro tecnológico, muito usado em tempos de Copa do Mundo de Futebol.
Interlocutores salientaram que o governo brasileiro não participou de audiência pública similar do ano passado e decidiu não participar agora novamente por entender que é um espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. No entanto, garantem que, pelos canais entre Estados, o governo vem, desde o ano passado, apresentando a defesa das posições do País por escrito, em reuniões virtuais e presenciais, como tem sido divulgado ao longo do período.
Essa postura de não comparecer a esse tipo de evento não é apenas brasileira, conforme relatos, já que a maioria dos países não comparece. "Negociação entre Estados não se dá nas audiências públicas, simples assim", resumiu uma fonte, questionando por que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro decidiu apenas se envolver no tema agora.