Após a TV Globo cancelar o debate presidencial devido a decisões da Justiça Eleitoral — que beneficiaram Lula e incluíram Renan Santos —, Flávio Bolsonaro desistiu do evento e realizou uma live com aliados. O candidato atacou o Judiciário, alegando censura, e convocou a população para um "voto de revolta". Com apoio de figuras como Pablo Marçal e Nikolas Ferreira, Flávio pregou o voto útil contra Lula, buscando atrair eleitores de rivais da direita para tentar liquidar a disputa no primeiro turno.
BRASÍLIA — O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aproveitou os holofotes pela desistência de participação e posterior cancelamento do debate na Globo na noite desta quinta-feira, 1º, para pedir voto útil em si mesmo numa tentativa de fechar a eleição no primeiro turno, no próximo domingo.
A emissora cancelou o debate a menos de uma hora do início depois de Flávio desistir de comparecer, na esteira de uma decisão da Justiça Eleitoral a favor do presidente Lula (PT). O petista já havia informado que faltaria ao evento, mas o bolsonarista era esperado nos Estúdios Globo, na zona oeste do Rio.
Na transmissão, Flávio criticou o que chamou de "censura" e "interferência do Judiciário" e pediu um "voto de revolta" dos brasileiros em sua sigla. Trata-se de uma tentativa de criar um movimento pelo voto útil e atrair os votos que iriam para os adversários, principalmente Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
"Se você estava pensando em não votar, compareça e vá votar no domingo. Se você está pensando em votar em algum outro candidato, que são meus concorrentes contra o Lula, a única candidatura que pode superar o Lula é a do Flávio Bolsonaro. Me dê o seu voto de revolta, me dê o seu voto inteligente já no primeiro turno", declarou Flávio.
O candidato afirmou que "Lula não só não vai ao debate como usa seus amigos do Judiciário para impor censura no debate da Rede Globo", e explorou o sentimento de indignação para apelar pelo "voto de revolta" contra o Judiciário.
"Eles criaram um sistema de bypass, um mecanismo, uma fraude para escolher quem são os ministros do TSE que vão tomar as decisões a favor do Lula. Estão avacalhando as eleições. Isso é desespero. Isso tem um nome: é o voto da revolta. Eles sabem que essa eleição vai acabar neste domingo. E vamos eleger a maior bancada de senadores deste Brasil", afirmou.
Aliados de Flávio como Nikolas Ferreira (PL-MG), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO) e o coach Pablo Marçal participaram da transmissão manifestaram apoio ao candidato, pediram união em torno de sua candidatura e, acima de tudo, atacaram a Justiça.
Nikolas afirmou que a decisão do TSE vai beneficiar o bolsonarista: "Acabaram de eleger Flávio. Se não é censura, eles não ganham. Se não é no tapetão, eles não ganham. Se o Flávio já ia ganhar [antes dessa interferência da Justiça], agora vai ganhar a rodo".
Já Marçal usou sua participação para pregar voto útil em Flávio no primeiro turno e se dirigiu aos principais candidatos da disputa, todos à direita:
"Eu tenho amizade com o Cury. Preciso falar: O Cury tem de vir em outras eleições, tem de ter paciência. Existe um inimigo maior. O Caiado poderia ser o melhor ministro da Segurança Pública da história, está em tempo ainda. Zema, por favor, você já viu que não tracionou, vem caminhar com a gente", declarou Marçal.
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha concedeu no começo da noite uma liminar para suspender a regra da Globo que previa, no debate presidencial desta sexta-feira, 1º, a exibição destacada da cadeira vazia e a possibilidade de candidatos presentes fazerem perguntas dirigidas ao candidato ausente.
A ministra alegou que a participação no debate é facultativa por lei e a regra poderia criar desequilíbrio entre as candidaturas, além de funcionar como forma indireta de pressionar o candidato a comparecer.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) ao debate, ainda que seu partido não tenha o número mínimo de cadeiras na Câmara que garanta a obrigatoriedade de sua presença.
Gilmar chamou a exclusão de Renan de "indevida" e afirmou que sua participação favoreceria não somente o direito do candidato de se manifestar como do eleitor de ser "exposto à diversidade de projetos políticos em disputa".
Ao anunciar o cancelamento do evento, a TV Globo mencionou uma outra decisão, do presidente do TSE, alterando entendimentos do próprio Tribunal sobre participações em debate para justificar sua decisão.
"Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite", informou a emissora.