Flávio Bolsonaro faz live após desistir de debate na Globo, critica TSE e pede voto útil em si

Emissora cancelou evento após interferências da Justiça e desistência do próprio candidato do PL, que tinha confirmado presença; Lula já havia informado que não compareceria

1 out 2026 - 23h51
(atualizado às 23h56)
Resumo
Após a TV Globo cancelar o debate presidencial devido a decisões da Justiça Eleitoral — que beneficiaram Lula e incluíram Renan Santos —, Flávio Bolsonaro desistiu do evento e realizou uma live com aliados. O candidato atacou o Judiciário, alegando censura, e convocou a população para um "voto de revolta". Com apoio de figuras como Pablo Marçal e Nikolas Ferreira, Flávio pregou o voto útil contra Lula, buscando atrair eleitores de rivais da direita para tentar liquidar a disputa no primeiro turno.

BRASÍLIA — O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aproveitou os holofotes pela desistência de participação e posterior cancelamento do debate na Globo na noite desta quinta-feira, 1º, para pedir voto útil em si mesmo numa tentativa de fechar a eleição no primeiro turno, no próximo domingo.

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A emissora cancelou o debate a menos de uma hora do início depois de Flávio desistir de comparecer, na esteira de uma decisão da Justiça Eleitoral a favor do presidente Lula (PT). O petista já havia informado que faltaria ao evento, mas o bolsonarista era esperado nos Estúdios Globo, na zona oeste do Rio.

Na transmissão, Flávio criticou o que chamou de "censura" e "interferência do Judiciário" e pediu um "voto de revolta" dos brasileiros em sua sigla. Trata-se de uma tentativa de criar um movimento pelo voto útil e atrair os votos que iriam para os adversários, principalmente Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Flávio Bolsonaro debocha de púlpito de Lula, motivo de decisão do TSE, em transmissão ao vivo após cancelamento de debate na TV Globo
Flávio Bolsonaro debocha de púlpito de Lula, motivo de decisão do TSE, em transmissão ao vivo após cancelamento de debate na TV Globo
Foto: Reprodução/You / Estadão

"Se você estava pensando em não votar, compareça e vá votar no domingo. Se você está pensando em votar em algum outro candidato, que são meus concorrentes contra o Lula, a única candidatura que pode superar o Lula é a do Flávio Bolsonaro. Me dê o seu voto de revolta, me dê o seu voto inteligente já no primeiro turno", declarou Flávio.

O candidato afirmou que "Lula não só não vai ao debate como usa seus amigos do Judiciário para impor censura no debate da Rede Globo", e explorou o sentimento de indignação para apelar pelo "voto de revolta" contra o Judiciário.

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"Eles criaram um sistema de bypass, um mecanismo, uma fraude para escolher quem são os ministros do TSE que vão tomar as decisões a favor do Lula. Estão avacalhando as eleições. Isso é desespero. Isso tem um nome: é o voto da revolta. Eles sabem que essa eleição vai acabar neste domingo. E vamos eleger a maior bancada de senadores deste Brasil", afirmou.

Aliados de Flávio como Nikolas Ferreira (PL-MG), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO) e o coach Pablo Marçal participaram da transmissão manifestaram apoio ao candidato, pediram união em torno de sua candidatura e, acima de tudo, atacaram a Justiça.

Nikolas afirmou que a decisão do TSE vai beneficiar o bolsonarista: "Acabaram de eleger Flávio. Se não é censura, eles não ganham. Se não é no tapetão, eles não ganham. Se o Flávio já ia ganhar [antes dessa interferência da Justiça], agora vai ganhar a rodo".

Já Marçal usou sua participação para pregar voto útil em Flávio no primeiro turno e se dirigiu aos principais candidatos da disputa, todos à direita:

"Eu tenho amizade com o Cury. Preciso falar: O Cury tem de vir em outras eleições, tem de ter paciência. Existe um inimigo maior. O Caiado poderia ser o melhor ministro da Segurança Pública da história, está em tempo ainda. Zema, por favor, você já viu que não tracionou, vem caminhar com a gente", declarou Marçal.

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A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha concedeu no começo da noite uma liminar para suspender a regra da Globo que previa, no debate presidencial desta sexta-feira, 1º, a exibição destacada da cadeira vazia e a possibilidade de candidatos presentes fazerem perguntas dirigidas ao candidato ausente.

A ministra alegou que a participação no debate é facultativa por lei e a regra poderia criar desequilíbrio entre as candidaturas, além de funcionar como forma indireta de pressionar o candidato a comparecer.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) ao debate, ainda que seu partido não tenha o número mínimo de cadeiras na Câmara que garanta a obrigatoriedade de sua presença.

Gilmar chamou a exclusão de Renan de "indevida" e afirmou que sua participação favoreceria não somente o direito do candidato de se manifestar como do eleitor de ser "exposto à diversidade de projetos políticos em disputa".

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Ao anunciar o cancelamento do evento, a TV Globo mencionou uma outra decisão, do presidente do TSE, alterando entendimentos do próprio Tribunal sobre participações em debate para justificar sua decisão.

"Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite", informou a emissora.

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