A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 28, requerimento de convite para que o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, esclareça a atuação da Polícia Federal na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.
O pedido partiu do deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO). Ele alega "inconsistências públicas quanto à natureza do ocorrido". Durante a votação na comissão, o requerimento de convocação foi convertido em convite, em que o comparecimento não é obrigatório. A data para a oitiva ainda não foi definida.
Também na terça-feira, a Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou convites ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao delegado Marcelo Ivo, que foi retirado da unidade em que trabalhava em cooperação internacional nos Estados Unidos após o episódio.
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alexandre Ramagem foi condenado a pena de 16 anos, um mês e 15 dias por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele fugiu do País e vive nos Estados Unidos, onde foi detido este mês pelo serviço de imigração americano, o ICE, por estar em situação irregular. Ramagem foi solto dois dias depois.
O delegado Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação da PF em Miami, foi expulso de sua posição junto ao Departamento de Segurança Interna americano. Em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado, o governo dos EUA alegou que o oficial brasileiro tentou "manipular" o sistema de imigração, "contornando pedidos formais de extradição" e "estendendo perseguições políticas ao território dos Estados Unidos".
A Polícia Federal, por outro lado, informou que a prisão de Ramagem "decorreu de cooperação policial internacional" entre a PF e autoridades dos EUA. "O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", afirmou a PF.
Em resposta, o governo brasileiro aplicou o princípio da reciprocidade e retirou a credencial de um agente americano que atuava em cooperação com a Polícia Federal no Brasil.