Bolsonaristas tentam usar matemática para insinuar que houve fraude eleitoral, mas conta é enganosa

POSTAGENS LEVANTAM SUSPEITAS PELO FATO DE CANDIDATOS AO SENADO DO PL, SOMADOS, TEREM RECEBIDO MAIS VOTOS QUE O PRESIDENCIÁVEL DO PARTIDO; COMPARAÇÃO É ESDRÚXULA POR IGNORAR QUE CADA ELEITOR PÔDE VOTAR DUAS VEZES PARA SENADOR

15 out 2026 - 09h55
Resumo
Postagens nas redes usam cálculos enganosos entre votos para presidente e para o Senado a fim de insinuar fraude eleitoral. A checagem do Estadão Verifica desmente a tese: a divergência numérica decorre do fato de o pleito ter ofertado duas vagas para senador por eleitor, permitindo votos duplicados na mesma legenda, além da possibilidade de escolha de partidos distintos para os dois cargos. Os partidos também não disputaram todos os estados, invalidando a comparação direta como prova de irregularidade.

O que estão compartilhando: imagens que levantam suspeitas sobre a legitimidade do resultado das eleições ao comparar a quantidade de votos recebidos pelos candidatos ao Senado do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL) com o total de votos obtidos por Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, respectivamente. Os conteúdos apontam que "a conta não fecha".

Comparação desconsidera que neste ano os eleitores tiveram o direito de escolher dois candidatos ao Senado, e apenas um para a presidência
Comparação desconsidera que neste ano os eleitores tiveram o direito de escolher dois candidatos ao Senado, e apenas um para a presidência
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A diferença entre a quantidade de votos recebidos pelos candidatos à Presidência e os obtidos por nomes do PT e do PL ao Senado não é um indício de fraude eleitoral. A comparação desconsidera que, neste ano, os eleitores tiveram o direito de escolher dois candidatos ao Senado, mas apenas um para a Presidência. Além disso, nada impede que eleitores votem em candidatos ao Planalto e ao Senado de partidos diferentes.

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Saiba mais: postagens que circulam nas redes sociais apontam como suposta irregularidade o fato de Flávio ter recebido 56,1 milhões de votos, enquanto os candidatos do PL ao Senado somaram 58,3 milhões. Em relação ao PT, as publicações destacam que Lula obteve 53,8 milhões de votos, mas os senadores eleitos pela legenda receberam, juntos, 15,9 milhões. Mas essa diferença ocorre por diferentes fatores e não se sustenta como prova de fraude.

O primeiro fator é que, neste ano, havia 54 vagas para o Senado e o eleitor pôde escolher dois candidatos na urna. Desta forma, os votos recebidos por concorrentes ao cargo de uma mesma legenda podem ser somados duas vezes em relação ao voto presidencial.

Outro ponto é que os eleitores de Flávio e Lula não necessariamente escolheram candidatos ao Senado da mesma legenda dos presidenciáveis. Os conteúdos desconsideram a presença de concorrentes de outros partidos na disputa. Além disso, o PT e o PL não lançaram candidaturas em todas as unidades federativas.

Neste ano, o PL lançou 33 candidatos ao Senado em 25 unidades federativas e foi a legenda que mais elegeu representantes. No total, 19 senadores foram eleitos com 45,2 milhões de votos. Os 58 milhões mencionados na peça verificada correspondem à soma dos votos recebidos por candidatos eleitos e não eleitos ao cargo.

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O partido de Flávio lançou mais de uma candidatura ao cargo em oito unidades da Federação: Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Distrito Federal. As duas vagas em disputa foram conquistadas pelo PL no DF, MS, RJ, RO e SC. Nesses locais, portanto, um mesmo eleitor pôde votar em dois candidatos do partido para o Senado, mas apenas uma vez para presidente.

Já o PT lançou 19 candidatos ao Senado em 17 unidades federativas. A legenda elegeu seis senadores que, juntos, somaram 15,9 milhões de votos. No total, os candidatos eleitos e não eleitos ao cargo receberam 27,3 milhões de votos.

O partido de Lula lançou mais de uma candidatura ao cargo na Bahia e no Paraná. Os assentos conquistados vieram da Bahia, com duas vagas, além de um em Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Como lidar com postagens do tipo: é comum que temas importantes para a sociedade, como as eleições presidenciais, sejam alvo de desinformação nas redes sociais. Ao deparar com conteúdos como o aqui verificado, é importante conferir as informações em veículos de imprensa confiáveis e em canais oficiais da Justiça Eleitoral antes de compartilhá-las. Desde o primeiro turno, o Verifica tem desmentido publicações que alegam a existência de problemas na apuração dos votos e no funcionamento das urnas eletrônicas (aqui, aqui e aqui).

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