Diretor de festa universitária da USP nega acusações de CPI

Silvio Tacla disse que o Show Medicina não contratou prostitutas ou adotou medidas homofóbicas e machistas

11 fev 2015 - 06h56
(atualizado às 06h59)
<p>A USP é investigada pelas festas polêmicas envolvendo os estudantes</p>
A USP é investigada pelas festas polêmicas envolvendo os estudantes
Foto: BBCMundo.com

O diretor do Show Medicina, evento anual de artes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Silvio Tacla Alves Barbosa, negou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) que existiu homofobia, exclusão de mulheres, contratação de prostitutas e indução ou coação para que os estudantes ingerissem bebida alcoólica ou ficassem nus no palco durante os ensaios e a edição de 2014 da festa. Em 2013, ele foi secretário e, em 2012, tesoureiro do evento.

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Além dele, mais dois estudantes depuseram nessa quarta-feira na CPI que apura violações de direitos humanos nas universidades paulistas. São eles Leonardo Bicarata Turra e Michel Oliveira Souza.

O estudante Alan de Oliveira, apesar de não ser um dos convocados para depor nesta tarde, apresentou relato de que, em 2013, foi induzido a beber. Após vomitar e, quando já não tinha consciência do que estava fazendo, outras pessoas colocaram bebida em sua boca, segundo ele. Na ocasião, ele caiu e bateu o rosto, sofreu lesão no queixo e contou que teve traumatismo cranioencefálico.

Tacla era colega dele na época e ajudou no socorro. No entanto, ele apresenta outra versão, dizendo que nunca houve obrigação de beber dentro do show. “Institucionalmente o Show [Medicina] jamais faria alguma coisa nesse sentido. Em 2014, eu fiz questão de frisar para que isso não acontecesse”.

Estudantes presentes no auditório falaram ainda que o Show Medicina organizava eventos com a participação de prostitutas e também com a exposição de pessoas fazendo sexo. O diretor da festa negou também que isso tenha ocorrido e disse que desconhecia a prova apresentada pela estudante da Faculdade de Medicina Maria Renata Mencacci.

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Maria Renata levou ao presidente da CPI, Adriano Diogo (PT), uma cópia de uma conversa que teria acontecido entre ela e o ex-diretor do Show Medicina, Rodrigo Bolini, na qual o rapaz admitia que estudantes faziam sexo para os outros verem, mas que ele não conseguiu acabar com tal tradição, pois não havia reclamações e as pessoas pareciam não ver aquilo como “absurdo”, segundo ele.

Em depoimento, no dia 20 de janeiro, o ex-aluno de medicina da USP e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Fernando Tofoli narrou momentos de horror pelo qual passou, em 1991, ao tentar entrar no Show Medicina.

“Apresentamos uma esquete, ficamos enfileirados e ia ser apresentado o resultado se a gente tinha passado no vestibular [do show] ou não. Nesse momento, abriam-se as portas do inferno”, disse, ressaltando que o teatro estava lotado.

“Obrigavam a gente a se despir e aí começa um trote típico das instituições masculinas. Fomos obrigados a dançar lambada pelados. Alguns foram obrigados a fazer o chamado 'cusquete', apanhar laranjas com as faces das nádegas e jogar em um balde. Para minha surpresa, um dos funcionários da faculdade, com um falo de madeira, ficava cutucando a bunda dos presentes”, disse.

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De acordo com a CPI, o Show Medicina teve suas práticas pouco alteradas desde os anos 90 até hoje.

Agência Brasil
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