A morte da ativista Valquíria Maria de Lima, de 43 anos, mobilizou integrantes de movimentos sociais e passou a ser investigada pela Polícia Civil de Pernambuco (PC-PE). Ela foi encontrada sem vida na noite da quinta-feira (25), dentro da residência onde vivia, na ocupação Leão do Norte, localizada no bairro da Boa Vista, área central do Recife.
Conhecida pela atuação em defesa do direito à moradia, Valquíria integrava o Movimento de Luta por Teto, Terra e Trabalho (MLTT), que classificou o caso como feminicídio e cobrou uma apuração rigorosa das circunstâncias do crime.
Segundo as primeiras informações, a vítima estava deitada sobre a cama quando foi localizada. Ela apresentava um ferimento grave na região da cabeça, compatível com agressões provocadas por um objeto contundente. O corpo passou por perícia antes de ser encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML).
O principal suspeito é o companheiro da ativista, que também morava no imóvel. Conforme relatos iniciais, ele deixou o local após o crime e, até a última atualização, não havia confirmação de prisão.
Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou um inquérito para esclarecer o homicídio. A corporação afirmou que as investigações seguem em andamento e que, por enquanto, a autoria do crime ainda não foi oficialmente confirmada.
A repercussão da morte provocou manifestações de pesar entre integrantes do MLTT. Nas redes sociais, o movimento destacou a trajetória de Valquíria nas mobilizações por moradia popular e lembrou sua dedicação às causas sociais.
"Mulher guerreira, símbolo de luta, coragem e dignidade, Valquíria deixa uma história que não será apagada", publicou a organização.
O presidente do movimento, Davi Lira, também se pronunciou sobre o caso e defendeu punição para o responsável.
"Sua vida foi interrompida pela violência brutal do feminicídio, uma violência que precisa ser enfrentada com firmeza, justiça e responsabilidade pelas autoridades", declarou.
Valquíria era uma das lideranças da Ocupação Leão do Norte e participava ativamente das ações desenvolvidas pelo movimento em defesa do acesso à moradia. Enquanto familiares, amigos e militantes aguardam respostas, a Polícia Civil realiza diligências, coleta depoimentos e reúne provas para esclarecer a dinâmica do crime e localizar o suspeito.