O escritório de advocacia liderado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, disse em nota nesta segunda-feira que produziu 36 pareceres para o Banco Master, mas não teve qualquer atuação como representante da instituição financeira perante o STF, na primeira nota pública sobre o assunto divulgada pelo escritório na qual admitiu ter sido contratado pelo Master.
"Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros", disse o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados na nota.
A banca informou que foi contratada, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo Master, para o qual disse ter realizado ampla consultoria e atuação jurídica por meio de uma equipe composta por 15 advogados.
"Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação", disse.
Além dos pareceres, o escritório afirmou que fez 94 reuniões de trabalho, sendo 79 delas presenciais na sede do Master, 13 com a presidência da instituição e duas videoconferências entre o jurídico do banco e a banca de advocacia.
A contratação do escritório da esposa de Moraes por um valor de R$129 milhões por um período de três anos pelo Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, havia sido revelada pelo jornal O Globo em dezembro. Esse contrato, segundo a publicação, previa uma remuneração mensal de R$3,6 milhões.
Na nota divulgada nesta segunda, o escritório não menciona os valores pagos.
Na sexta-feira, em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, Moraes negou de forma enfática que tenha sido o destinatário de mensagens trocadas com Vorcaro no dia da sua primeira prisão preventiva, em 17 de novembro passado. Nessa mesma época o Master sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
Segundo a reportagem de O Globo, tanto Vorcaro quanto Moraes usariam mensagens de visualização única do aplicativo WhatsApp, mas o banqueiro deixava os textos salvos no bloco de notas do celular. Não há na troca de mensagens citada na reportagem qualquer mensagem de Moraes, exceto um emoji com o polegar levantado para cima em sinal de aprovação a uma das mensagens do banqueiro.
"Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", disse o magistrado na nota.
A relação do banqueiro com Moraes e a família do magistrado tem sido questionada dentro e fora do Supremo.
Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez na quarta-feira passada após nova fase da operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.