Diretor da PF elogia cooperação com Itália contra crime organizado

Em entrevista à ANSA, Rodrigues apontou colaboração 'fluida' com Roma

27 jun 2026 - 01h35
(atualizado às 03h19)

O diretor-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, afirmou que o combate a patrimônios ilícitos é uma das principais estratégias para enfraquecer o crime organizado e que a disseminação de novas tecnologias financeiras exige ferramentas investigativas e formas de cooperação avançadas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em entrevista à ANSA durante encontro da Associação da Imprensa Estrangeira (Aie) no Rio de Janeiro, ele destacou a colaboração com a Itália no enfrentamento a fluxos financeiros ocultos.

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"Recentemente, a Interpol criou um novo mecanismo internacional, o 'Silver Notice', dedicado à identificação de patrimônios e valores ocultos de criminosos foragidos. A primeira sinalização surgiu de uma solicitação nossa às autoridades italianas, que acionaram esse mecanismo para congelar os bens de um indivíduo sob investigação", declarou Rodrigues.

O chefe da PF ressaltou que o Brasil está se equipando com novos instrumentos para lidar com a economia digital. No Rio de Janeiro, a polícia já apreendeu em favelas centros usados por narcotraficantes para a mineração de criptomoedas, e fintechs têm sido alvos de investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Para Rodrigues, o desafio vai além: "Eu poderia falar de toda a nova economia, transferências instantâneas, blockchain, NFTs. Tudo isso nos impõe a necessidade de desenvolver não apenas novas técnicas investigativas, mas também instrumentos legislativos que nos permitam melhorar as investigações".

A tecnologia financeira também é crucial na dimensão transnacional do narcotráfico. "As organizações criminosas locais usam nossos portos para exportar cocaína dos países vizinhos para a Europa, muitas vezes com escalas na África, e os pagamentos são feitos em criptomoedas. Por isso a colaboração internacional é indispensável", explicou.

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Neste sentido, Rodrigues classificou a cooperação com a Itália como "histórica", "fluida" e com "intercâmbio permanente de experiências". "Temos representantes italianos no Brasil e funcionários nossos na Itália. Recentemente, estive em Roma para encontros com as autoridades policiais e com o procurador nacional antimáfia. Isso é ótimo", concluiu.   

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