Para reduzir acidentes na Dutra durante a ida ao Santuário de Aparecida, órgãos federais e a concessionária criaram uma nova rota para os romeiros. A mudança inclui a inversão de pistas em trechos críticos sem acostamento em Caçapava e uma ponte provisória do Exército em Roseira. A estrutura contará ainda com 29 tendas de apoio, reforço da PRF e distribuição de itens refletivos, visando mitigar o histórico de mortes por atropelamento, com alerta para se evitar caminhar à noite ou sob chuva.
Romeiros que seguirão para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), contarão com alterações no trajeto. A nova rota e as intervenções têm o objetivo de reduzir os riscos de acidente na rodovia Presidente Dutra (BR-116) e foram planejadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária Motiva, a administração da Basílica e o Exército.
O Dia de Nossa Senhora Aparecida é celebrado em 12 de outubro.
A mudança mais visível está em Caçapava (km 125), onde o fluxo de pedestres será transposto da pista sul para a norte. Nos pontos em que a falta de acostamento obrigava romeiros e carros a dividir a pista, os pedestres passarão para o outro sentido da rodovia e só retornarão depois de seis quilômetros. Já perto de Roseira, uma ponte provisória montada pelo Exército vai servir apenas à romaria.
Em 2025, o Santuário recebeu 10.486.118 devotos. Somente durante as festividades para o dia da Padroeira foram 494 mil. Devido ao intenso fluxo, são diversos os acidentes registrados no trecho de peregrinação. Segundo o MPF, dez atropelamentos resultaram em morte desde 2021.
Há também reforço de estrutura. Serão 29 tendas de apoio, com água, frutas e assistência de encaminhamento a unidades de saúde. Além de agentes da PRF que prestarão auxílio ao longo de todo o percurso.
A concessionária Motiva promete distribuir coletes e tarjas refletivas e instalar sinalização especial em pontos estratégicos da rodovia.
"A peregrinação pela Dutra é naturalmente insegura, e os romeiros devem, se possível, optar por romarias que sigam por outras vias", afirma a procuradora da República Ana Carolina Haliuc Bragança, responsável pela coordenação do mapa chamado "Caminho consciente 2026".
Independentemente da escolha, a atenção deve ser dobrada. Para os fiéis, é recomendado evitar caminhadas durante a noite e em períodos de chuva. "O plano implementado, somado à prudência dos próprios pedestres, com certeza reduzirá - embora não elimine - os riscos que a caminhada pela Dutra naturalmente implica", diz Ana Carolina.