O que se sabe sobre o jovem morto com 27 tiros durante abordagem policial em SP?

Segundo a SSP, as polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte, e que a conduta dos agentes será apurada por meio de Inquérito Policial Militar (IPM)

11 out 2026 - 15h55
Resumo
Na zona sul de SP, Gustavo Munis Santana, de 20 anos e sem antecedentes criminais, foi morto por policiais militares após ser atingido por 27 dos 45 tiros disparados contra ele. A PM fora acionada para conter o jovem em crise, que apontou um celular para os agentes ao sair de um imóvel escuro, gerando os disparos. O caso, registrado em câmeras corporais, é investigado pelas polícias Civil e Militar, e os quatro agentes envolvidos foram afastados das funções operacionais.

O jovem Gustavo Munis Santana, de 20 anos, morreu após ser baleado durante uma abordagem da Polícia Militar na madrugada deste sábado, 10, na zona sul de São Paulo. Segundo a perícia, quatro policiais dispararam 45 tiros, dos quais 27 atingiram o rapaz. A Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) informou que investiga a conduta dos agentes e diz que não tolera desvios de conduta.

Quem era a vítima?

O jovem foi identificado como Gustavo Munis de Santana. Segundo informações levantadas pela perícia, ele morava com a mãe e a irmã, fazia tratamento com antidepressivos e não tinha antecedentes criminais.

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Onde e quando ocorreu a abordagem?

A ocorrência aconteceu por volta das 2h30 da madrugada de sábado, em uma passarela na Avenida Moreira Guimarães, em Planalto Paulista (região de Moema), zona sul da capital paulista.

Um jovem de 20 anos foi morto após ser baleado 27 vezes por quatro policiais militares durante uma abordagem na madrugada deste sábado (10), em Moema, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais confundiram o celular de Gustavo Munis de Santana com uma arma de fogo.
Um jovem de 20 anos foi morto após ser baleado 27 vezes por quatro policiais militares durante uma abordagem na madrugada deste sábado (10), em Moema, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais confundiram o celular de Gustavo Munis de Santana com uma arma de fogo.
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

Como a ocorrência começou?

De acordo com o boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso, a polícia foi acionada após uma denúncia de que um rapaz estaria "transtornado" e ameaçando efetuar um disparo contra si. Na versão apresentada à Polícia Civil, Gustavo teria uma "postura ameaçadora" e ficaria "colocando a mão na cintura". Inicialmente, uma viatura da PM foi enviada ao local.

O que aconteceu antes dos disparos?

Conforme o registro policial, Gustavo teria corrido após a chegada da primeira viatura, atravessando a passarela e se abrigado em um imóvel na Alameda dos Guaramomis. Outras três viaturas foram deslocadas para a ocorrência.

Ainda segundo o boletim, o jovem teria saído de uma área escura do imóvel, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontado para "um objeto escuro".

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Quantos tiros foram disparados?

Segundo a perícia, quatro policiais militares efetuaram 45 disparos com pistolas calibre .40 da corporação. Pelo menos 27 tiros atingiram Gustavo, que morreu no local. As quatro armas utilizadas pelos agentes foram apreendidas para perícia.

O jovem estava armado?

Segundo o boletim de ocorrência, o objeto escuro para o qual Gustavo apontava era um aparelho celular. A perícia informou que apenas o telefone foi apreendido com ele.

Em entrevista ao SBT, sob a condição de anonimato, a irmã do jovem negou que ele estivesse armado. "Eles estão tentando tachar meu irmão como se ele estivesse tentando roubar; como se ele estivesse tentando fazer alguma coisa errada ou como se o meu irmão estivesse armado. E nada disso é verdade", disse.

O que mostram as câmeras corporais dos policiais?

A dinâmica da ocorrência foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes. As informações preliminares levantadas pela perícia horas após o crime indicam que as imagens mostram Gustavo saindo de uma área escura junto à fachada de um imóvel e estendendo os braços na direção da rua antes de os policiais abrirem fogo.

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O que aconteceu com os agentes envolvidos?

Os policiais militares que participaram da ocorrência foram afastados das atividades operacionais, informou a Secretaria da Segurança.

O caso está sendo investigado?

Sim. Segundo a SSP-SP, as polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte. O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Em nota, a secretaria informou que a conduta dos agentes será apurada por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). A pasta também afirmou que não tolera desvios de conduta e que eventuais irregularidades serão punidas com rigor./COLABOROU AMANDA LINO

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