MPRS aponta indícios de tortura psicológica e abuso de autoridade em morte de agricultor em Pelotas

Promotoria contesta conclusão da Brigada Militar e exige aprofundamento das investigações sobre ação que vitimou Marcos Nornberg

15 abr 2026 - 10h12

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) trouxe novas e graves revelações sobre a operação da Brigada Militar que resultou na morte do agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, ocorrida em janeiro deste ano na zona rural de Pelotas. Contrariando o Inquérito Policial Militar (IPM) da própria corporação — que havia concluído pela inexistência de crimes militares —, a promotora Anelise Haertel Grehs, da 2ª Promotoria de Justiça Militar, identificou fortes indícios de abuso de autoridade por parte dos oficiais que coordenaram a ação, além de elementos que configuram tortura psicológica contra a viúva da vítima.

Foto: Reprodução / Redes Sociais / Porto Alegre 24 horas

A promotora requereu à Justiça Militar o aprofundamento das investigações antes de decidir pelo oferecimento de denúncia. O caso, que envolve oito policiais militares em busca de uma suposta quadrilha, tramita sob segredo de Justiça a pedido do Comando-Geral da BM. Entre os pontos que motivaram o pedido do MPRS, destaca-se o tratamento dado à esposa de Nornberg, considerada "vítima sobrevivente". Em um relato contundente, ela afirmou ter sido mantida refém sob extrema violência por quase duas horas, enquanto presenciava o marido ser morto dentro da própria propriedade em meio a mais de 20 disparos de fuzil.

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O desdobramento jurídico do caso agora segue duas frentes distintas:

Justiça Militar: Analisa a conduta dos oficiais e os indícios de abuso e tortura psicológica apontados pelo MPRS.

Justiça Comum: A Polícia Civil conduz o inquérito sobre o homicídio, que será posteriormente analisado pela Promotoria de Justiça de Pelotas.

A família de Marcos Nornberg recebeu a manifestação do Ministério Público com esperança, reiterando que buscará justiça em esferas nacionais e internacionais para garantir que a gravidade do episódio não seja tratada com superficialidade. A decisão sobre a realização das novas diligências solicitadas agora cabe à 2ª Auditoria da Justiça Militar do Estado.

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Com informações: Correio do Povo

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