Uma investigação liderada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) revelou um rombo financeiro superior a R$ 6 milhões em uma cerealista no Noroeste do Rio Grande do Sul. O crime, alvo da Operação Romaneio, consistia na falsificação de documentos de entrega de grãos. A fraude foi descoberta após a própria empresa identificar inconsistências em seu sistema de controle interno e acionar as autoridades competentes.
O "modus operandi" do grupo criminoso envolvia a reutilização indevida de pesagens legítimas. Após um caminhão passar regularmente pela balança, os funcionários inseriam novamente os dados no sistema sem que houvesse uma nova carga física. Essa manobra permitia a geração de um romaneio verdadeiro e outro fictício, criando créditos para entregas inexistentes que seriam faturadas posteriormente pelos envolvidos.
O delegado Ricardo Drum Rodrigues explicou que o grupo manipulava os dados para favorecer supostos clientes que faziam parte da organização. A operação, realizada em cidades como Soledade e Palmeira das Missões, resultou na apreensão de bens de alto valor e dinheiro vivo. O sequestro de ativos financeiros foi autorizado pela Justiça para garantir o ressarcimento parcial dos danos sofridos pela empresa cerealista.
A Operação Romaneio ressalta a vulnerabilidade de sistemas de logística no agronegócio diante de fraudes internas. Até o momento, 11 suspeitos foram detidos, e a polícia continua a investigação para apurar o alcance total do faturamento ilícito. O setor de segurança corporativa de empresas agrícolas deve reforçar protocolos de auditoria em pesagens após a revelação da fragilidade explorada pelos criminosos na região.
SSP-RS.