Enel diz que apagão em São Paulo afetou 4,4 milhões de clientes, o dobro do divulgado anteriormente

Empresa diz que número informado inicialmente correspondia ao pico de impactados simultaneamente

14 jan 2026 - 10h22

A Enel, concessionária dos serviços de energia da cidade de São Paulo, afirmou que o apagão em 10 de dezembro prejudicou 4,4 milhões de clientes na capital naquele dia. O número equivale ao dobro do que havia sido divulgado pela própria empresa no ano passado.

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Os dados foram relatados pela própria Enel à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As informações foram noticiadas pela TV Globo e confirmadas pelo Estadão.

À época, a empresa afirmava que o apagão atingiu 2,2 milhões de clientes sem luz na quarta, após a chegada de um ciclone ao Estado de São Paulo. Segundo a concessionária, os 2,2 milhões de consumidores afetados correspondem ao pico de clientes desligados simultaneamente e não ao volume acumulado ao longo do apagão.

"Foram 12 horas seguidas de fortes ventos e, na medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, apurado em análise posterior ao evento climático", diz a empresa.

4 milhões de clientes afetados

A correspondência encaminhada pela Enel a Aneel, documento à qual o Estadão teve acesso, foi registrada no dia 19 de dezembro.

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"A consolidação dos dados contidos em ambos os arquivos permite à Aneel alcançar o total de aproximadamente 4,4 milhões de clientes interrompidos no dia 10/12/2025, assegurando a correta representação do impacto do evento e a adequada segregação dos tipos de atendimento realizados", afirma a empresa.

Ainda de acordo com o documento, os sistemas da rede reconectaram automaticamente 1,1 milhão de clientes naquele dia. Outros 3,2 milhões tiveram fornecimento restabelecido por meio da atuação de equipes em campo.

Informações do documento apontam ainda um reduzido número de atendimentos na madrugada do dia 11, quando muitos clientes ainda sofriam o impacto do apagão. Sobre os dados, a Enel afirma que "a quantidade de equipes se concentrou principalmente durante o dia, dada a natureza do evento e para que fosse amplificada a produtividade das equipes".

Governo e Prefeitura de SP pedem caducidade do contrato

A velocidade dos ventos que causaram o apagão chegou a 98 km/h, o que nunca havia sido aferido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) desde o início das medições, em 1963. O fenômeno climático provocou transtornos em cascata na cidade. A cidade chegou a ter milhões de imóveis sem energia, afetando milhões de habitantes em variadas regiões.

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Em dezembro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de SP, e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciaram o pedido de caducidade do contrato com a Enel.

A solicitação foi feita para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que disse que vai usar um processo já aberto em 2024 para acelerar a análise. O processo envolve o diagnóstico das falhas e direito de defesa da concessionária. Após o anúncio, a Enel disse estar disposta a enterrar a fiação e defende sua atuação em SP.

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