A Justiça decidiu que o publicitário Ricardo Jardim irá a júri popular pelo feminicídio da companheira, Brasília Costa, de 65 anos, em Porto Alegre. Preso preventivamente desde 2025, o réu também responderá por outros sete crimes, incluindo ocultação e vilipêndio de cadáver. O caso, conhecido como "Crime da Mala", chocou pela divisão e descarte dos restos mortais da vítima em diversos pontos da cidade, como a Rodoviária local. Apesar das investigações, a cabeça da vítima ainda não foi localizada.
O publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri pelo feminicídio de Brasília Costa, de 65 anos, sua companheira, cujo corpo foi encontrado dividido e espalhado por diferentes pontos de Porto Alegre em 2025. A decisão foi tomada pela Justiça nesta quarta-feira (14), na capital gaúcha. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu entre os dias 8 e 12 de agosto do ano passado, em contexto de violência doméstica e familiar. O acusado também responderá por outros sete crimes. A cabeça da vítima ainda não foi localizada.
O MPRS informou que as promotoras de Justiça Luciana Cano Casarotto e Luciane Wingert, da Promotoria do Tribunal do Júri de Porto Alegre, serão responsáveis pela acusação. Elas apresentaram a denúncia contra o publicitário em novembro de 2025. Ainda cabe recurso, e a data do julgamento não foi divulgada.
Ricardo Jardim está preso preventivamente desde setembro de 2025. A Justiça também decidiu manter a prisão. Em agosto deste ano, durante o processo, o acusado não compareceu ao interrogatório e afirmou que não iria se manifestar.
Corpo foi encontrado em diferentes pontos da Capital
O caso ganhou repercussão depois que parte do corpo de Brasília Costa foi encontrada dentro de uma mala deixada em um guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre, em 1º de setembro de 2025.
A investigação apontou que outros restos mortais foram descartados em locais distintos da cidade. Sacolas com partes do corpo foram encontradas em uma rua da Zona Leste, enquanto as pernas foram localizadas em dois pontos diferentes da Zona Sul.
A identificação da vítima foi realizada por meio de exames genéticos. Apesar das buscas e das diligências policiais, o crânio de Brasília não foi encontrado.
Segundo a acusação, Jardim teria matado a companheira e, depois, ocultado e espalhado partes do corpo para dificultar a investigação. As circunstâncias exatas da morte, no entanto, não foram esclarecidas.
Imagens de câmeras de segurança de diferentes locais, incluindo a Rodoviária, ajudaram os investigadores a reconstruir os deslocamentos relacionados ao descarte dos restos mortais.
Acusado responderá por oito crimes
Além do feminicídio, Ricardo Jardim deverá responder por vilipêndio de cadáver, ocultação de cadáver, furto, falsificação de documento público, uso de documento falso, falsa identidade e invasão de dispositivo informático.
A denúncia do Ministério Público sustenta que o crime foi cometido em contexto de violência doméstica e familiar e com recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A decisão que leva o caso ao Tribunal do Júri não representa uma condenação. O julgamento será responsável por decidir se o acusado é culpado pelos crimes que lhe são atribuídos.
Quem era Brasília Costa
Brasília Costa, conhecida como Bia, tinha 65 anos, era natural de Arroio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, e trabalhava como manicure em salões da Zona Norte de Porto Alegre.
Conforme informações publicadas pela imprensa, ela conheceu Ricardo Jardim em um abrigo durante o período das enchentes de 2024. Os dois teriam encerrado o relacionamento em outubro daquele ano, mas retomado a relação posteriormente.
O caso ficou conhecido como "Crime da Mala" pela forma como parte do corpo da vítima foi encontrada na Rodoviária da Capital. A investigação e o processo judicial seguem com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do feminicídio e responsabilizar o acusado.