A consultora financeira Kethiny Alves, de 34 anos, morreu após complicações em uma cirurgia ortognática na Santa Casa de Guaratinguetá (SP). Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e choque no pós-operatório, falecendo dois dias depois. Diante de contradições em laudos sobre a causa da morte e de uma demora de três horas para serem avisados do óbito, familiares registraram boletim de ocorrência contra o hospital para apurar eventuais falhas médicas. A instituição não se manifestou.
A consultora financeira Kethiny Evinlyn Alves, de 34 anos, morreu após passar por uma cirurgia ortognática na última quinta-feira, 22, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ela apresentou complicações no final do procedimento e foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.
A família registrou um boletim de ocorrência contra a Santa Casa do município, onde foi realizada a operação. Procurada pelo Estadão, a instituição não se manifestou. O espaço segue aberto.
Em entrevista ao Estadão, a mãe de Kethiny, Maria Francisca Alves, disse que o médico informou que a jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi entubada na UTI. No entanto, a equipe não tinha informações detalhadas sobre as possíveis causas do problema. O procedimento foi realizado na terça, 20. A jovem morreu dois dias depois.
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A irmã da vítima, Kevely Caetano, explica que a documentação médica indicou um quadro de choque e hipóxia (falta de oxigenação) ao final da cirurgia, além de outras intercorrências não esclarecidas.
Já a guia de encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) apontou choque refratário e uma possível lesão encefálica anóxica no pós-operatório. A certidão de óbito registra choque cardiogênico e choque distributivo.
A contradição dos documentos fez a família acionar a polícia solicitando acesso ao prontuário para esclarecer as causas da morte e possíveis falhas da equipe do hospital.
"Não queremos fazer acusações sem provas, mas exigimos transparência e respostas sobre a morte da minha irmã", disse Kevely.
3h para saber da morte
A mãe e a irmã de Kethiny também questionam a conduta do médico responsável pela operação. Segundo elas, o profissional demorou cerca de três horas para informar a família sobre o falecimento. Quando confrontado, ele alegou que a falha tinha sido da equipe de enfermagem e do anestesista.
"Recebemos informações sobre possíveis processos anteriores envolvendo o médico e relatos de pacientes que teriam apresentado complicações, fatos que precisam ser apurados".
O que é a cirurgia ortognática
A cirurgia ortognática é um procedimento de correção de alterações na estrutura óssea da face, em especial nos casos que envolvem má-formação de ossos, como maxilar e a mandíbula.
Antes do procedimento, Kethiny publicou um vídeo dizendo que estava realizando um sonho com a cirurgia. Maria Francisca também conta que a filha sentia dores de cabeça e no maxilar desde a infância, além incômodos na mastigação e na respiração.
"Estamos devastados. Ela era uma menina linda, comunicativa e que era a ponte da família e dos amigos. Nós queremos respostas, em respeito a memória da minha filha. Mesmo que não traga ela de volta", disse.
"Minha mãe perdeu uma filha, e eu perdi minha irmã, minha melhor amiga e meu maior alicerce. O que buscamos é a verdade e, caso seja comprovada alguma negligência, imprudência ou imperícia, que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados", completou Kevely.