Caso Gustavo Munis: Polícia Civil ainda não recebeu imagens das câmeras corporais dos PMs

SSP informa que investiga a abordagem que causou a morte de rapaz com 27 tiros em Moema; quatro policiais foram afastados

12 out 2026 - 16h02
(atualizado às 16h25)
Resumo
A Polícia Civil aguarda as imagens das câmeras corporais de quatro PMs que mataram Gustavo Munis, de 20 anos, atingido por 27 tiros em SP. Os agentes foram afastados após dispararem 45 vezes contra o jovem, que estava em crise psiquiátrica e segurava apenas um celular, confundido com uma ameaça. A Corregedoria da PM retém as gravações, consideradas cruciais para o inquérito do DHPP, enquanto a Secretaria da Segurança Pública investiga a conduta policial.

As imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos na abordagem que provocou a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, na madrugada de sábado, 10, após ser atingido por 27 tiros, não foram entregues à Polícia Civil no início da tarde desta segunda-feira, 12. As imagens são consideradas importantes para definir as circunstâncias da ocorrência.

As gravações estão com a Corregedoria da Polícia Militar. O Estadão apurou que a íntegra das imagens ainda não foi encaminhada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações.

Publicidade

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta de seus agentes e que as circunstâncias da morte são investigadas com rigor. A pasta informou ainda que eventuais irregularidades serão punidas.

Jovem morto com 27 tiros da PM é velado em cemitério da zona sul de SP Gustavo Munis de Santana foi atingido por disparos durante ocorrência de tentativa de suicídio no último sábado (10/10)
Jovem morto com 27 tiros da PM é velado em cemitério da zona sul de SP Gustavo Munis de Santana foi atingido por disparos durante ocorrência de tentativa de suicídio no último sábado (10/10)
Foto: Reprodução/Rede Social / Estadão

A PM decidiu afastar quatro policiais envolvidos na ocorrência. O afastamento é uma medida administrativa enquanto o caso é apurado e não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.

O corpo de Gustavo Munis de Santana foi enterrado nesta segunda-feira, 12, no Cemitério Congonhas, na zona sul de São Paulo. O clima era de tristeza e revolta, de acordo familiares.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, documento obtido pelo Estadão, as autoridades teriam sido acionadas porque Gustavo estaria "transtornado" e ameaçava tirar a própria vida. Conforme o registro policial, após a chegada da primeira viatura, o rapaz atravessou a passarela e se abrigou em um imóvel na Alameda dos Guaramomis.

Publicidade

Ele ainda teria saído de uma área escura, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontado um "objeto escuro". Segundo o boletim, o objeto na mão de Gustavo era um aparelho celular. A perícia informou que apenas o telefone foi apreendido com ele.

Os quatro policiais dispararam 45 vezes contra o jovem, dos quais 27 atingiram a vítima. As armas dos policiais envolvidos e o celular de Gustavo foram apreendidos para perícia.

Gustavo Munis de Santana não tinha antecedentes criminais e fazia tratamento psiquiátrico, de acordo com os familiares.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações