O ator e diretor francês Arnaud Denis, de 43 anos, morreu após recorrer à eutanásia na Bélgica devido a graves dores e perda de autonomia. O artista atribuía seu declínio físico a uma cirurgia de hérnia em 2023, após a qual foi diagnosticado com encefalomielite miálgica e síndrome ASIA. Antes do procedimento, Denis publicou um desabafo criticando o sistema médico, cobrando maior atenção a síndromes neurológicas e definindo sua escolha pela eutanásia como uma libertação diante do sofrimento crônico.
Arnaud Denis, ator e diretor francês de 43 anos, morreu na terça-feira (22), na Bélgica, após recorrer à eutanásia em meio a graves problemas de saúde. Conhecido por uma trajetória de mais de duas décadas no teatro, além de trabalhos no cinema e na televisão, ele vinha relatando nos últimos anos uma perda progressiva de autonomia relatava sofrer com dores intensas.
O advogado Philippe Courtois afirmou que três médicos acompanharam a decisão do artista na cidade belga de Namur. "Seu corpo já não o sustentava", declarou à 'AFP'.
O ator relacionava o início da deterioração de sua saúde a uma cirurgia de hérnia inguinal realizada em julho de 2023, quando recebeu um implante de polipropileno. No ano seguinte, viajou aos Estados Unidos para retirar o dispositivo. Mesmo depois do procedimento, relatou que o quadro continuou comprometendo sua autonomia.
Denis recebeu diagnósticos de encefalomielite miálgica e síndrome ASIA e acabou deixando a carreira. O Ministério Público de Paris, contudo, afirmou não haver evidências científicas suficientes para estabelecer um nexo causal entre a prótese e os problemas apresentados pelo ator.
Desabafo de Arnaud Denis
Pouco antes de morrer, Denis publicou nas redes sociais um longo texto sobre os últimos três anos. Na mensagem, então, direcionou críticas ao atendimento médico recebido na França e descreveu as consequências que a deterioração da saúde provocou em sua rotina.
"Chega de maus-tratos médicos. Já contei amplamente a minha história. Foram três anos intermináveis de deterioração do estado geral desde uma cirurgia de hérnia em 2023", escreveu.
Em outro momento, o ator contou que chegou a perder 17 quilos em três meses e afirmou que já não conseguia se alimentar normalmente. Além disso, relatou ter procurado serviços de emergência diversas vezes enquanto tentava entender o avanço dos sintomas.
'Um dia vão nos ouvir'
Ao falar sobre a encefalomielite miálgica, Denis ampliou o desabafo para outras pessoas que convivem com a doença. Ele cobrou maior atenção às síndromes neurológicas pós-infecciosas e criticou a assistência oferecida aos pacientes. "Um dia vão nos ouvir. As síndromes neurológicas pós-infecciosas precisam se tornar uma prioridade de saúde pública", declarou.
Em seguida, o ator relatou o impacto das limitações físicas sobre uma vida dedicada ao teatro. Segundo ele, depois de 22 anos trabalhando nos palcos, chegou a um ponto em que já não conseguia permanecer em pé, caminhar ou sair da cama normalmente.
Ator definiu eutanásia como 'libertação'
Na parte final da publicação, Arnaud Denis falou diretamente sobre a escolha de realizar o procedimento na Bélgica. Ele destacou o acolhimento que afirmou ter recebido no país e pediu que sua decisão fosse respeitada. "A eutanásia não é uma 'escolha terrível', não quando já não existe nenhum momento de alívio. É uma libertação", escreveu.
Além disso, reforçou que não queria ser julgado pela decisão: "Recuso a qualquer pessoa o direito de me julgar, a menos que viva seis meses no corpo de um paciente com encefalomielite miálgica grave para compreender o que é esse horror absoluto".
Ao encerrar a mensagem, então, o ator dedicou suas últimas palavras públicas às pessoas que enfrentavam condições semelhantes e àqueles que fizeram parte de sua trajetória. "A todos os meus irmãos e irmãs de luta. E a todos aqueles que 'embarcaram no trem da minha vida' [...] e que abraço com toda a minha alma", escreveu, por fim.