Construção de seis fragatas era o maior projeto de defesa da Marinha alemã no pós-guerra. Projeto consumiu 2,3 bilhões de euros sem que nenhuma embarcação fosse entregue.Citando altos custos e atrasos, a Alemanha cancelou o maior projeto de defesa da história de sua Marinha: a construção de seis fragatas F126. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (24/06) pelo Ministério da Defesa após reportagens publicadas pelo jornal britânico Financial Times e a revista alemã Der Spiegel.
O anúncio fez despencar as ações da Rheinmetall, principal empresa do setor de defesa do país e maior fabricante de munições da Europa, apontada como favorita para a empreitada.
Os planos para construir as fragatas já vinham enfrentando dificuldades há algum tempo, com Berlim avaliando se deveria transferir o contrato para a divisão NVL da Rheinmetall, depois que a fornecedora inicial, o grupo holandês Damen Schelde Naval Shipbuilding (DSNS), não conseguiu cumprir prazos e orçamentos.
O ministério afirma que a transferência do negócio da DSNS para a NVL, cujo custo inicial era estimado em cerca de 10 bilhões de euros, agora já sairia por mais de 18 bilhões de euros.
Além disso, segundo o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, o projeto F126 já consumiu cerca de 2,3 bilhões de euros desde que a encomenda foi feita, em 2020. Mas se fosse transferido para a NVL, o governo teria que abrir mão de um pedido de indenização contra a DSNS.
Projeto alternativo a cargo da Thyssenkrupp
Em vez das fragatas F126, Berlim vai optar por oito fragatas menores Meko A-200, da divisão naval TKMS da Thyssenkrupp, por um valor estimado de 11,6 bilhões de euros, confirmando parcialmente planos anteriores.
Pelas primeiras quatro embarcações, o governo pagará 6,3 bilhões de euros, com uma opção de compra de mais quatro por 5,3 bilhões, se exercida até o fim de 2026.
Em março, o ministério ainda planejava a aquisição de apenas quatro dessas embarcações. Elas eram uma solução provisória para cumprir compromissos da Otan de combate a submarinos a partir de 2028, com entregas a partir do fim de 2029.
"Ótima notícia, certamente para nós", disse nesta quarta o CEO da TKMS, Oliver Burkhard, em um vídeo publicado no LinkedIn, deixando em aberto a possibilidade de incluir parceiros industriais que perderam o projeto F126, sem dar detalhes.
As ações da Rheinmetall caíram até 20%, corroendo mais de 11 bilhões de euros de seu valor de mercado - seu nível mais baixo em quase 15 meses.
O grupo expandiu sua atuação na defesa naval no ano passado, com a compra da NVL. A Rheinmetall também disputa com a TKMS a aquisição da German Naval Yards Kiel, concorrente de menor porte.
Analistas do JP Morgan disseram que a decisão significa que a Rheinmetall "provavelmente não atingirá sua meta de entrada de pedidos" em 2026, de 80 bilhões de euros.
Em meio ao complexo esforço de rearmamento da Europa — no qual Berlim e Paris cancelaram o projeto conjunto do caça FCAS e o programa do tanque MGCS está cerca de uma década atrasado —, a fabricante franco-alemã de tanques KNDS detalhou nesta quarta-feira planos para entrada no mercado de ações em Frankfurt e Paris que, segundo fontes citadas pela agência de notícias Reuters, pode fazê-la valer cerca de 15 bilhões de euros.
ra (Reuters, ots)
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