Resumo
Utilizado desde civilizações antigas como o Egito, o gesso é um derivado da gipsita que se consolidou pela versatilidade e baixo custo. Historicamente aplicado em esculturas, decorações e imobilizações ortopédicas na medicina, o material é indispensável na construção civil moderna. Ele se destaca em estruturas de drywall, forros, molduras e isolamentos térmico e acústico, mantendo ampla relevância prática e estética.
O gesso, derivado do sulfato de cálcio, teve diferentes usos na Roma Antiga, inclusive em práticas funerárias. Pesquisas em York, no norte da Inglaterra, revelaram seu emprego em sepultamentos. Os achados ajudam a ampliar a compreensão sobre como os romanos lidavam com a morte de bebês.
Foto: - Reprodução de Youtube / Flipar
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O gesso, derivado do sulfato de cálcio, teve diferentes usos na Roma Antiga, inclusive em práticas funerárias. Pesquisas em York, no norte da Inglaterra, revelaram seu emprego em sepultamentos. Os achados ajudam a ampliar a compreensão sobre como os romanos lidavam com a morte de bebês.
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O gesso é um material moldável que endurece rapidamente e permite preservar detalhes. Na Roma Antiga, era usado para revestir paredes e também em práticas funerárias. Assim, o mesmo material empregado nas construções podia ajudar a preservar a memória dos mortos.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Nas casas e templos romanos, o gesso era usado como acabamento e como base para pinturas. Sua presença frequente nas construções mostra como o material fazia parte do cotidiano. Essa disponibilidade também favoreceu seu emprego em práticas funerárias.
Foto: Reprodução do Instagram @andersonsebastiaodemiranda
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Ao endurecer, o gesso podia registrar tecidos, ornamentos e até a posição do corpo. Nos sepultamentos, funcionava como uma espécie de cápsula de memória. Essa capacidade de preservação associava o material às ideias de cuidado e permanência.
Foto: Headland Archaeology/Reprodução
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Em alguns sepultamentos romanos, o corpo era colocado em um caixão ou sarcófago e envolvido por gesso líquido. Ao endurecer, o material formava uma camada ao redor dos restos mortais. A prática era incomum e pode estar relacionada a rituais funerários de grupos com certos recursos ou status.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Por muito tempo, acreditou-se que apenas adultos de elite eram sepultados em gesso. Contudo, novas análises revelaram crianças e bebês envolvidos nesse ritual. O gesso, portanto, não era apenas símbolo de poder, mas também de vínculo emocional.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Três bebês com menos de quatro meses foram encontrados em sepultamentos desse tipo. O uso do gesso para recém-nascidos mostra que o material servia para expressar luto e amor, mesmo quando a lei não reconhecia oficialmente o velório infantil.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Com taxas de mortalidade próximas a 30%, muitos acreditavam que os romanos eram indiferentes à perda. Porém, o gesso nos sepultamentos infantis revela outra realidade: famílias buscavam preservar a memória dos filhos, apesar da fragilidade da vida.
Foto: Divulgação/ Universidade de York
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Um recém-nascido em York, por exemplo, foi envolto em lã roxa com fios de ouro e coberto com gesso. O material preservou até as marcas do tecido luxuoso. Esse caso mostra como o gesso registrava não apenas o corpo, mas também símbolos de prestígio e afeto.
Foto: rto com gesso - Uma viagem pelo gesso e suas utilidades - Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Em outro sepultamento, um bebê foi enterrado entre dois adultos, todos envolvidos em gesso, em uma posição que sugere vínculo. O material eternizou não apenas os corpos, mas também a relação entre eles.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Pesquisadores analisam se o gesso continha incenso ou mástique, além de pigmentos como o púrpura do molusco murex. Esses elementos reforçam que o gesso não era neutro: carregava aromas e cores que intensificavam o ritual.
Foto: Divulgação
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Crianças mais velhas também foram relatadas. Uma menina de 7 a 9 anos foi sepultada com joias e calçados, envolta em gesso. Ossos de uma ave, talvez um animal de estimação, também estavam presentes. O material preservou esse universo afetivo, revelando cuidado e memória.
Foto: Divulgação/ Museu de York
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Havia um claro contraste com a lei. Afinal, textos jurídicos romanos proibiam velórios para crianças com menos de um ano. No entanto, o gesso nos sepultamentos infantis mostra que as famílias ignoravam tais normas. O luto privado se sobrepunha às regras públicas.
Foto: Art Muse LA
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Mais que um material técnico, o gesso era mediador entre vida e morte. Ele registrava corpos e objetos, funcionando como testemunha silenciosa da dor e do cuidado. Sua função transcendia o uso cotidiano.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Assim como em paredes revestidas de tinta, o gesso guardava imagens. Nos sepultamentos, guardava lembranças. Essa dupla função reforça sua importância cultural: tanto na arte quanto no luto, o gesso era veículo de permanência.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust
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Os achados de York corrigem a ideia de que os romanos não valorizavam seus filhos. O gesso nos sepultamentos mostra que bebês eram amados e lamentados, mesmo em uma sociedade marcada pela alta mortalidade.
Foto: Reprodução do Yotube Canal Universidade de York
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Segundo Maureen Carroll, os textos jurídicos refletem apenas a visão da elite masculina. Já o gesso nos sepultamentos revela a realidade das famílias, onde o luto era vivido intensamente. O material dá voz ao silêncio das crianças.
Foto: Reprodução do Youtube Canal Michigan Law
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Os sepultamentos em gesso de York mostram que o sofrimento das famílias romanas não era diferente do que vemos hoje. O gesso, ao preservar corpos e memórias, revela que até os mais pequenos eram profundamente valorizados. Assim, a arqueologia reescreve a história do afeto na Roma antiga.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust