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Cabeçada de técnico em bandeirinha é violência contra mulher

Situação ocorrida no Campeonato Capixaba precisa de punição para servir de exemplo para a sociedade

11 abr 2022 - 08h00
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“Tá querendo aproveitar de uma situação porque é mulher". Foi essa a desculpa esdrúxula que o técnico Rafael Soriano, da Desportiva Ferroviária, equipe do Espírito Santo, usou para justificar a cabeçada desferida contra a assistente de arbitragem Marcielly Netto, no intervalo da partida contra o Nova Venécia, pelo Campeonato Capixaba, neste domingo (10).

O caso de agressão já seria passível de punição, mas ao envolver uma profissional mulher torna o problema ainda maior. Mostra a falta de respeito que existe no ambiente do futebol quando há uma árbitra ou uma assistente em campo, por exemplo, e como os homens envolvidos - jogadores, técnicos e dirigentes - tendem a querer mostrar uma superioridade de gênero.

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A principal reclamação do treinador ao invadir o gramado no intervalo era com o árbitro Arthur Gomes Rabelo, que encerrou a primeira etapa do jogo antes da Desportiva cobrar o escanteio que tinha a seu favor.

Mas foi em direção à Marcelly que ele partiu, e conforme mostram as imagens, tentou dar uma cabeçada nela - investigações devem comprovar se houve de fato a agressão ou não. 

Marcielly Netto imediatamente leva as mãos ao rosto após tentativa de agressão de Soriano
Marcielly Netto imediatamente leva as mãos ao rosto após tentativa de agressão de Soriano
Foto: Reprodução

Um ato inadmissível, que precisa de punições severas para não se repetir na esfera esportiva, nem fora dela. É preciso lembrar que vivemos em um país em que é registrado um caso de feminicídio a cada 7 horas, segundo dados do levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), publicado no dia 7 de março de 2022.

São esses números e inúmeras histórias que tornam a “defesa” do treinador algo inaceitável. Argumentar que ela estaria "querendo se aproveitar de uma situação porque é mulher" é, apenas, o reforço de uma tese machista.

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"Se você disser que eu te agredi, nós vamos para a delegacia. Vamos fazer Corpo de Delito, senão eu vou te processar", disse Soriano, em entrevista à TV Cultura. Ele ainda afirmou que a auxiliar teria empurrado os jogadores, e garantiu que não encostou nela.

O técnico foi expulso durante o intervalo, mas a partida retornou para a segunda etapa, e Marcielly seguiu bandeirando nos minutos restantes de jogo. 

Demissão e repúdio

Logo após a partida a Desportiva emitiu nota oficial informando a demissão do treinador Rafael Soriano e reforçando não aceitar qualquer tipo de violência, além de se colocar à disposição de Marcielly Netto.

“A Desportiva Ferroviária vem a público informar que repudia toda e qualquer tipo de violência, seja física, verbal, moral ou emocional, principalmente contra mulheres, e nos solidarizamos com a assistente de arbitragem Marcielly Netto, nos colocando à disposição para aquilo que for necessário.

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Informamos também que, diante do ocorrido, o treinador Rafael Soriano foi desligado do clube.”

 

A Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo, responsável pela realização da partida, válida pelas quartas de final do Campeonato Capixaba, também emitiu uma nota de repúdio, e garantiu que a súmula do jogo será enviada ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva do estado.

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“Sobre o ocorrido no intervalo da partida entre Nova Venécia FC e Desportiva Ferroviária, nas quartas de final do Campeonato Capixaba, neste domingo (10), a Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (FES) afirma que combate e repudia qualquer ato de violência, este praticado pelo treinador da Desportiva Ferroviária, e que dará todo o suporte necessário à árbitra assistente Marcielly Netto. Assim que a FES receber a súmula da referida partida, a mesma será encaminhada para o TJD-ES. O caso será acompanhado de perto pela entidade, que acredita que as medidas legais serão tomadas pelos órgãos competentes.”

O Nova Venécia, time adversário da Desportiva, definiu a atitude do treinador como “nojenta e covarde”, e pediu punição severa ao caso de agressão contra a mulher.

"Não existe justificativa para uma agressão. Especialmente quando ela é covardemente dirigida a uma mulher. Não importa se você nasceu em outros tempos. Não importa de onde você veio. Isso é falado o dia inteiro na televisão, na internet, onde quer que você vá. Por isso, consideramos que o combate à violência contra a mulher deve ser tratada de forma muito, mas muito severa.

O que fez o técnico Rafael Soriano com a assistente Marcielly Netto, na tarde de hoje no Zenor Pedrosa, é indigno da gigantesca história da Desportiva Ferroviária, nossa adversária das quartas de final do Capixaba, mas muito além disso: foi um crime cometido em frente às câmeras, em uma partida transmitida para o Brasil inteiro via YouTube e presenciado por mais de 1,5 mil pessoas no estádio.

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Não apenas repudiamos a atitude nojenta e covarde, mas também esperamos e cobramos punição ao treinador em todas as esferas, para que atos como esse nunca mais aconteçam, não apenas em um campo de futebol, mas em todos os segmentos da nossa vida."

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